quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sem mais nem menos...


Tenho estado menos calada que observada
Menos observada que questionada
Menos questionada que respeitada
Menos respeitada que controversa
Menos controversa que perdida
Menos perdida que crítica
Menos crítica que ansiosa
Menos ansiosa que apressada
Menos apressada que desanimada
Menos desanimada que aberta
Menos aberta que assediada
Menos assediada que apaixonada
Menos apaixonada que amada
Menos amada que calada

Tenho estado mais calada que contente
Mais contente que triste
Mais triste que séria
Mais séria que sensível
Mais sensível que forte
Mais forte que sensata
Mais sensata que ousada
Mais ousada que esperta
Mais esperta que inteligente
Mais inteligente que interessante
Mais interessante que apaixonante
Mais apaixonante que verdadeira
Mais verdadeira que exposta
Mais exposta que calada

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pra tu...


Nem todo ser humano tem dignidade
Nem todo dia se faz uma bela amizade
Nem todo sorriso é sinal de fraternidade
Nem toda amizade se faz com afinidade
Nem todo grande amigo está na mesma cidade
Nem toda distância é antônimo de proximidade
Nem todo segredo guardado demonstra lealdade
Nem toda linda mulher é uma beldade(pra mim não)
Nem todo beijo na testa é uma possibilidade
Nem toda tecnologia mata a saudade
Nem todo parabéns comemora uma idade
Nem toda Mônica é uma Bond's de verdade
Nem toda hora eu tenho oportunidade
de dizer que eu te adoro com toda a sinceridade

domingo, 30 de maio de 2010

Reconhecendo-me


Porto Alegre me mostrou
que tenho sotaque,
que tenho família.
Família de gente cabra da peste.
Mostrou que sou do nordeste,
com muita alegria.

Porto Alegre me ensinou
o que é sentir frio
e que aqui também tem calor,
tem estio.
Aqui tem até o mesmo nome:
é verão.
Mas o verão aqui não tem a cara da fome.

Outro dia falava a um fulano
que gaúcho peleia muito
mas nem de longe tem o tutano
do povo esquálido lá de cima
que mesmo diante de qualquer clima,
de qualquer sina,
nunca desanima.

Aqui tem muita coisa boa
Cobertor de orelha, parques...
Eu adoro Poa!
Porto Alegre me mostrou
que por mais distante que eu vou
nunca largarei as marcas de onde eu sou.

Marca que tá na minha cara
Da mistura feita na Terra do Sol
De gente miúda e de pele queimada
Gente sempre muito bem humorada
Que não tem a beleza padrão daqui
Mas que endoidece a vida
de muito gente por aí,
do Oiapoque ao Chuí.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Vale à pena conferir...


O cinema, assim como a música e a literatura, me emociona, me ensina, me instiga, me excita, me comove, me questiona, me surpreende. É o papel da arte, se não, pra mim pelo menos, não é arte.
Como se pode ver, não sou muito eclética, respeito muita coisa que chamam de arte, mas verdadeiramente gosto de poucas. Algumas coisas sequer respeito, falo mal mesmo. Sendo assim não sou a melhor pessoa pra sugerir filmes, não sou o que se pode chamar de cinéfila e nem sou alta conhecedora de cineastas, técnicas de filmagem, atores, diretores, etc, mas me atrevo a fazê-lo, afinal o blog é meu mesmo...rsrs

Bertolucci – É sempre um êxtase. Sempre um pano de fundo que por si só já é um espetáculo, sugiro: Os Sonhadores, O Céu que nos protege e O Último Tango em Paris
Tarantino – A violência irônica dele me surpreende e aterroriza com arte. Sugiro: Bastardos Inglórios, Pulp Fiction e Kill Bill.
Almodóvar – A crueza das cenas, o seu método eficiente de mostrar a hipocrisia e beleza das relações humanas me faz gostar até do seu pior filme, vou sugerir apenas três: Volver, Tudo sobre minha mãe, Mulheres à beira de um ataque de nervos.
Ken Loach – A coerência e sensibilidade dele me emocionam e, pra mim, faz dele o melhor. Poderia sugerir todos, mas...: Terra e Liberdade, Ventos da Liberdade, Pão e Rosas.
Chaplin – Um gênio de sua época. Ninguém deveria morrer sem assistir ao menos um desses três: Tempos Modernos, O Grande Ditador, o Garoto
Eisenstein – Muito clássico. Difícil pra quem não vive sem celulares e internet. Mas é outro gênio de sua época. Só sugiro dois, pois foi o que assisti: O Encouraçado Potekim e Outubro.
Bergman – Não gosto. Respeito, mas não gosto. Então não sugiro.
Guel Arraes – Ele ainda tem muito talento pra mostrar. Sugiro: Alto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro, e, um que ainda não assisti, mas tô cheia de expectativa, Romance
Sérgio Bianchi – Só conheço três e recomendo todos: Quanto vale ou é por quilo?, Cronicamente inviável e os Inquilinos.
Jorge Furtado – Este deveria ter ficado quieto depois de Ilha das Flores. Infelizmente não ficou.
Truffaut – Não é meu estilo de jeito nenhum, mas eu respeito muito e até sugiro Julles&Jim e A Mulher do Lado.
Bunuel – Também não sou fã, mas é um clássico que tem sua validade. Sugiro: A bela da tarde, O discreto charme da burguesia, Um cão Andaluz.
Spielberg – Gosto da versatilidade dele. Sugiro: A cor púrpura, AI-Inteligência Artificial, O Terminal
Michael Moore – Odeio a incoerência dele misturada com a coerência dos seus filmes. Sugiro: Tiros em Columbine, Fahrenheit 9/11, Sicko – SOS Saúde.
James Cameron – Não gosto do estilo, mas tenho que sugerir o Avatar, é muito belo.
Wood Allen – Prefiro os mais novos. O tempo lhe deu algo mais além de experiência. Sugiro: Vicky Cristina Barcelona, Melinda e Melinda, Tudo pode dar certo (sugiro pra mim mesma, não assisti ainda)
David Lynch – Não gosto. Muita viagem pra minha cabeça. Mas tem um que eu sugiro: Cidade dos Sonhos.
Polanski – Não gosto do estilo, nem um pouco. Mas me rendo ao Lua de Fel.
Walter Salles – Se existisse burguês progressivo, este seria um. Faz excelentes filmes de deixar qualquer europeu no chinelo. Sugiro: Terra Estrangeira, Abril despedaçado e Paris- Eu te amo (o curta dele é o melhor dentre todos)
Hans Weingartner – Só conheço um filme dele. Mas é um dos melhores que já assisti na vida: Edukators
Philip Kaufman – Por mim ele poderia encerrar a carreira com chave de ouro quando fez A insustentável leveza do ser, ficou tão bom quanto o livro. Mas depois ainda fez um que vale a pena também: Herry&June
Glauber Rocha – É demais pra minha cabecinha. Não sugiro nada, mal consegui assistir Terra em transe. Mas pra quem gosta de maluquice esse é ótimo.
Scorsese - Sugiro: Taxi Driver, Gangues de NY, A última tentação de Cristo.
Jim Jarmusch - Ele diz fazer filmes pra poucas pessoas...eu sou uma delas. Sugiro: Sobre Café e Cigarros, Dear man
Vai ficar em aberto para novos acréscimos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Parafraseando...






"Também não era a minha intenção
Na minha perfeita razão
Mas não podia abrir mão daquela ocasião

Não foi sacanagem, nem empolgação.
Foi pura emoção.

Agora você ficou nessa situação.
Não fale nada, mas também não diga não.
Você não precisa ter correção.
Você tem boa cabeça e melhor ainda é o seu coração.

Eu sei que foi difícil controlar a emoção.
Mas preste atenção.
Não é apenas uma paixão ou muito menos só tesão.

Não nos encontramos em vão.
Então sem fazer confusão.
Na minha opinião.
Não precisa pedir perdão.
Continuaremos a nossa construção."

*Resposta ao meu post anterior, não é meu, por isso está entre aspas.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Perdão


Não foi minha intenção.
Em minha perfeita razão,
Poderia abrir mão.
Não foi sacanagem, foi empolgação.

Agora ficou essa situação:
Não falo nada ou digo não?!
Não tenho mesmo correção.
Pareço não ter cabeça e nem coração.

Eu sei, é difícil controlar a emoção.
Mas preste atenção
É apenas uma paixão
Ou ainda pode ser, só um tesão.

Não nos encontramos em vão
Então, sem fazer confusão
Na minha opinião
Continuaremos nossa construção.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Essência


Afetividade
Fraternidade
Bondade
Solidariedade
Amizade
Parecem ter a ver com idade
ou não...
Talvez tenha a ver com oportunidade

terça-feira, 18 de maio de 2010

Vai entender...


Fico irritada com dois cremes de leite abertos. Duas caixas de leite então... isso me deixa furiosa! Fico irritada também com potes de restinho de comida na geladeira que jamais serão comidos.

Pão integral é irritante. Cebola crua, café e mel também. Ser obrigada a tomar chá de gengibre com mel sem reclamar, pra não haver briga, é algo que me irrita horrores.

É irritante ter que responder a mesma pergunta duas ou três vezes. Pior ainda é perguntar algo duas ou três vezes pra obter uma simples resposta como: Sim, não ou não sei. Aff!! Eu viro bicho quando isso acontece!

Ligar o chuveiro antes de tirar a roupa pra tomar banho me deixa maluca. Pra que isso se o chuveiro é elétrico, não a gás?!

Dormir com duas cobertas, quando uma apenas resolve o problema, e no meio da noite estar pingando de suor é muito irritante. E aquele pé gelado sem meia tocando na minha perna quentinha, dá vontade de matar.

Atrasos de mais de 3 minutos podem me fazer perder o humor o dia inteiro. Ir dormir e deixar o computador ligado me irrita profundamente.

Mas o que me deixaria mesmo completamente irritada e de mau humor seria chegar em casa e não ter nada pra reclamar, ou passar o dia sem nenhuma dessas coisinhas irritantes. Na verdade, eu adoro me irritar e tava morrendo de saudade de tudo isso.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Fica


Primeira impressão

Impossível não te ver
Mas como te querer?
Eras a pedida do momento
Mas era demais pro meu intento.

Segunda Impressão

Algo está errado
Não há dia marcado
E tu sempre estás ali
Ambiente alcoolizado
Falatório alvoroçado
Retirei os olhos de ti

Terceira impressão

Será você a luz no fim do túnel?
Não, não deve ser
É muito pouco pra você
Talvez seja o holofote em cima do estádio...

Quarta impressão

É aquela que fica...
Pra onde você pensa que vai?
Fica!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Navegar é preciso! Mudar não é preciso!


Vai passando o tempo e a gente fica mais paciente. Quando a gente é criança ou adolescente tem pressa pra chegar aos lugares, tem pressa pra chegar aos 18 anos, tem pressa pra acabar o ano escolar, tem pressa pra chegar aos “finalmente”... Na verdade não é bem isso. Não é que a gente fica mais paciente, pois a gente continua com pressa pra chegar o fim do mês, com pressa pra sair do engarrafamento, com pressa pra “bater o ponto”... Na verdade, a gente continua com pressa, mas, depois que cresce, a gente percebe que é preciso ter paciência, ainda que às vezes não se tenha, pois, o que menos queremos, é que o tempo e a vida realmente passem.

Vai passando o tempo e a gente fica mais tolerante. Na adolescência éramos os donos da verdade. Só o que a gente gostava era o que era interessante, o resto era tudo “careta”, chato, fora de moda, “um saco”, “babaca”... Na verdade não é bem isso. Não é que a gente fica mais tolerante. Continuamos intolerantes, ainda que mais ecléticos e mais abertos às novidades e às outras opiniões. Na verdade, a gente continua achando “um saco”, mas agora são os jovens que são um saco. A gente acha que eles são uns “babacas”, sem nada na cabeça. Agora a gente acha chato se divertir como se divertia antes.

Vai passando o tempo e a gente fica mais cauteloso. A juventude tem espírito de aventuras. Quer novas experiências e não tem medo de correr riscos. Corre atrás do que quer, supera obstáculos, arrisca a vida que tem por uma, suposta e sonhadamente, vida melhor. Na verdade não é bem isso. Não é que a gente fica mais cauteloso. A gente continua arriscando na vida, arriscando esperar as coisas caírem do céu, arriscando a coisa melhorar, arriscando ser feliz, mesmo sem procurar os meios para sê-lo. Na verdade, a gente fica mesmo é mais medroso. Porque a gente começa a acumular os anos, e os anos são preciosos, porque acumulam pessoas amadas, acumulam propriedades, acumulam gorduras. Os jovens só têm a si mesmos e a um monte de sonhos na cabeça. Por isso arriscam até as suas vidas por eles. Os maduros carregam consigo várias outras coisas, inclusive um monte de frustrações, aí não arriscam nem uma noite de sono pra ir numa festa no sábado.

Vai passando o tempo e a gente fica mais ponderado. Jovens são rebeldes e radicais por natureza. Tudo é olho por olho, dente por dente. Quer mudar o mundo (os mais egoístas o seu próprio), e tem que ser urgente. Não importa o caminho mais fácil, se esse caminho vai pro lugar errado. O que importa é lutar pra chegar ao lugar certo, pois quando a gente é jovem, a gente quer conhecer esse lugar. Na verdade não é bem isso. Não é que a gente fica mais ponderado. A gente não pondera mais nada depois de certa idade. Somos radicais em sempre escolher o mesmo jeito: o jeito mais fácil pra fazer e pensar as coisas. Se tudo estiver mastigado melhor, a gente só engole. Um jeito diferente, um jeito melhor é descartado logo, sem ponderações, pois, mudar depois de certa idade, não é nada ponderado.

Vai passando o tempo e a gente fica mais mudado. O que a gente gostava antes, já não gosta mais. O que a gente fazia antes, já não faz mais. O que a gente achava certo e errado antes, já não acha mais. E, quando jovem, achamos que vamos pensar, ser e fazer as mesmas coisas pra sempre, pois gostamos do que somos. Na verdade não é bem isso. Não é que a gente tenha mudado. A gente continua gostando daquelas coisas de antes, só que, agora, elas são lembranças. A gente já não faz as mesmas coisas de antes, mas só porque não temos oportunidade, não conseguimos, não fomos capazes ou porque não temos saúde, agilidade, ou até porque fica patético pra nossa idade. E o que antes era certo ou errado , bem lá no fundo, mas bem lá no fundo mesmo, continua sendo certo e errado hoje também. O que acontece é que a gente começa a mudar nossas atitudes por acomodação, por imposição, por sobrevivência, ou por ser mais fácil de “se dar bem”. E aí começamos a arrumar justificativas e argumentos pra essa mudança de atitude, pros nossos erros, pras nossas covardias, pra nossa falta de esperança e pra deixamos de seguir o que é certo. Chegamos até a teorizar sobre quanto e porque mudamos. Mas, na verdade, a gente sabe que são só desculpas pra enganar alguém ou a si mesmo. No fundo a gente sabe que o certo e o errado, o que fomos e o que somos, na aparência e na forma, podem até ser relativos, a depender do tempo e do espaço, mas que na essência e no conteúdo, não mudam, não mudamos.

Como vi num belo e emocionante filme chamado Edukators: “Há pessoas que nunca mudam!”... Eu gostaria de ser uma delas.

domingo, 9 de maio de 2010

Mudança de clima


A noite virou dia
A cerveja virou amônia
O beijo virou embronha
O cansaço virou insônia
O sábado virou família
O calor virou agonia
E antes que eu me desse conta
A mente ficou vazia

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Equipamento de proteção individual


Preciso de pára-raios
para me proteger do raio dos teus olhos
E que o raio dessa lembrança
vá para o raio que o parta...

sábado, 1 de maio de 2010

Viva o 1° de maio!!!!



Vida de operária


Noite curta e dia longo

Três máquinas de fiar e um chefe
que me suga
feito pernilongo
Em casa roupas pra lavar e um moleque
que me chupa
até fazer calombo


E ainda tem aquele mané
que passa o tempo
me incomodando
Tem ciúmes até do Zé
que em dois dias estará
se casando


Futebol, cerveja, nem pensar
que a creche fecha
às seis em ponto
Em casa ainda tem o jantar
que vira almoço e às seis:
está tudo pronto!!

Viva a classe trabalhadora!!!


Vida de operário

Pra ti que não bate ponto

Parece simples, mas é complicado

Chegar atrasado no trampo

Por causa de ônibus lotado



Pra ti que tem QI

Pede aumento, patrão dá

Aqui tem que se unir

Fazer greve pra fábrica parar

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Depois do fim


Desentendimento.
Rompimento.
Sepultamento.

Isso é só o fim...
Depois vem o pior:

Esquecimento.

domingo, 25 de abril de 2010

Eu não digo amem!!


"Os animais do mundo existem para os seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens."
(Alice Walker)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Amar é...


Ir embora no melhor momento.

Voltar quando os momentos ruins chegarem.

Sim, pois ninguém volta para o que estava mal

e nem antes que os momentos bons acabem.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Grito de silêncio


Entregue a um caminho perdulário
Grito desesperada a toda a gente
Pois até que provem o contrário
Tenho direito a um silêncio pungente

sábado, 17 de abril de 2010

Antes de agora


Não me escrevo mais
Nada me flui
Eu me conheço demais
Eu nao sei quem eu fui

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pseudo-neutralidade



Quem não vê, não sabe

Quem não sabe, não sente

Quem não sente

Não precisa ver e saber...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Falar é humano. Latir é divino!"

Amizade casual


Foi numa sessão de domingo.
Estavam só elas na bilheteria.
Ambas em dúvida sobre a escolha do filme.
Uma perguntou a outra se tinha alguma dica.
Assistiram ao mesmo filme na mesma fileira.
Comentaram o filme e foram tomar um sorvete.
Desde então se encontravam sempre que podiam.
E viveram felizes para sempre.
Cada uma com o seu próprio marido.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Dúvida cruel


Não sei se jogo uma bomba no ap do síndico
Ou se mando uma flor pelo correio

Melhor ficar quieta
Nos dois casos posso acabar presa...

Arrastanto corrente


Fui denunciada por mau trato
Por um lindo coração carente
Ele se foi e não houve trato
Fiquei no limbo arrastando corrente

Fui condenada à prisão
Sem mais direito às tardes à toa
Fiquei apenas com a visão
Dos sonhos feitos com outra pessoa

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Inspirações perdidas


" Eu acho que todos deveriam fazer versos. Ainda que saiam maus, não tem importância. É preferível, para a alma humana, fazer maus versos a não fazer nenhum. O exercício da arte poética representaria, no caso, como que um esforço de auto-superação.
É fato consabido que esse refinamento do estilo acaba trazendo necessariamente o refinamento da alma.
Sim, todos devem fazer versos. Contanto que não venham mostrar-me."
Mario Quintana




Tem gente que tem o dom da palavra. Não é o meu caso. Preciso me puxar nos argumentos para que me escutem com consideração. Tem gente que tem o dom da escrita. Este também não é o meu caso. Meu vocabulário é bem trivial e minha criatividade é curtíssima. Ainda bem que me sustento sem precisar dessas coisas.

O meu caso é de escrever o que me vem à cabeça. E isso faço não tem nem seis meses, só por aqui mesmo. É bom escrever sobre o que me vem à cabeça, tenho gostado bastante disso. Porém, eu queria escrever sobre tudo e poder emocionar as pessoas como eu me emociono com algumas coisas escritas. Ou pelo menos, pra não ser tão petulante, o que gostaria de escrever o que eu quizesse. Explicando:

Eu só escrevo sobre as coisas que me vem à cabeça e que me causar alguma sensação ou reação. Sempre sobre o que vejo hoje, sobre o que sinto hoje, sobre o que penso hoje. E preciso escrever rápido. Penso em alguma coisa interessante e tenho que correr, caso contrário, perco a inspiração do momento e foi-se, não consigo mais retormar aquela idéia. Nada de querer escrever sobre algo e ficar pra depois. Assim, por encomenda, só os textos quase técnicos que às vezes preciso entregar.

O que eu queria era poder escrever sobre tudo. Por exemplo, escrever sobre o que eu já vivi tempos atrás. Sobre as sensações que tive, as impressões que tive sobre o mundo, sobre antigas paixões e amores. Foram tantas inspirações que se perderam da minha cabeça. Que coisas interessantes poderia ter escrito sobre as viagens que fiz! Ou sobre as coisas que aprendi e as pessoas que conheci! Sobre o amor e suas dores... Grande tema inspirador! Tenho a impressão que, a depender do quanto já amei e do quanto já sofri por amor, poderia ter escrito até livros. Ouso dizer ainda que seriam bons livros, pois os amores foram fortes e foram lindos. Mas, não vou mais escrevê-los, pois já não estão mais na minha cabeça. Agora aquelas sensações antigas, tão ricas, tão inspiradoras, são apenas lembranças. Que pena! Sinto agora que cometo uma injustiça com o meu passado e escrevo isso como uma tentativa de redenção.