quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

De uma remalina destacada


Fui útil enquanto estive presa a você.
Estava sempre ali, à margem, servindo de tracionamento para que pudesses correr livremente e assim imprimir sua história.
Agora que estás preenchido do cabeçalho ao rodapé, sou descartada como lixo.
Que triste fim! Todos sentem prazer em arrancar-me através do picote.
Oh! Meu querido! Juntos éramos um formulário contínuo! Eu sem você não passo de uma fita furada... E você também não durará muito, pois o mundo agora é da A4 e já te usam como rascunho.
Em breve seremos os dois obsoletos!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Relíquia


Realmente ele custa muito caro. Mas é que ele demorou muitos anos pra ficar assim desse jeito; com esse cheiro único e com essa forma delineada de seios perfeitos e de ancas baixas.
O valor dele não é medido apenas por horas trabalhadas + o lucro embutido. Ele vale também pelo quanto saiu a passear pelas ruas e os lugares que conheceu. Vale pelo quanto balançou ao vento no ritmo de passos elegantes. Vale o quanto ocupou espaço no guarda-roupa e no varal ao sol daqueles dias de primavera.
Esse cerzido perto do fecho não é um problema, na verdade foi a solução encontrada, consequência da pressa pra se livrar daquele zíper inoportuno.
Trouxe aqui nessa loja de usados não por ele estar velho, não por valer pouco, ao contrário, trouxe aqui por não encontrar butique ou shopping à altura dele. Essas modernidades não estão com nada, estão fora da minha moda e me enjoam.
Por que me desfaço dele? Ah meu amigo!! A vida é assim mesmo... Eu é que estou me desfazendo aos poucos, a vida não tem sentido sem ela e preciso dar outra vida a esse vestido antes que eu morra de saudades.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dialética



É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

Vinícius de Moraes

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Versinhos meio fora de época


Teu sorriso me harmoniza o dia
Por ser meigo, lindo e de ocasião
Ele é tipo aquela doçura... a lichia(lembra?)
Até encontro aqui, mas não é fácil não

Acho que nunca mais terei a alegria
De vê-lo brotar... de tocá-lo com a mão
Mas o desejo nutri e mantém a fantasia
Espero ano todo como a uma fruta de estação

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Passou...


Imagens passam pelo retrovisor
Não pude congelá-las
Elas ainda estão ali
Ainda existem
Mas ficaram para trás

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dieta Sem o Com


Acordei e só tinha café
Ao meio dia só tinha feijão
De sobremesa só tinha queijo
No jantar só tinha pão
Vou dormir sem tudo que tinha
E acordar sem com(panhia) e sem chão

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Preservar = nome bonito pra mentir


Hoje em dia, não mentir pra quem a gente ama parece ser no mínimo algo insólito, pois normal, e alguns defendem que seja o mais correto, é não dizer a verdade em alguns casos. Esses casos variam entre a importância e relevância da mentira e a conveniência do mentiroso. E quem avalia se o caso é assim ou assado é o autor da mentira. Ao enganado resta a obscuridade total.
Às vezes, dizer a verdade transforma o sujeito num insensível, num sádico. O objeto da mentira e a mentira em si são amenizados diante da falta de consideração que é confessar a mentira à pessoa enganada. A mentira é relativa, eu sei. Há mentiras e mentiras. Algumas não alteram nada a relação, não haverá conseqüências e aí pra que contar?! Só pra machucar a pessoa?! Não vai mudar nada...não vale a pena contar.
Porra nenhuma! Mentira é mentira aqui e na China. Seja ela pequena ou grande, complicada ou simples, importante ou banal, relevante ou sem conseqüência. Quer mentir, minta. É uma escolha e você pode até se sentir melhor assim e achar que tá deixando todo mundo feliz. Mas, isso se chama mentira e não adianta querer dar outro nome.
A meu ver, todas as pessoas têm direito de saber a realidade. Nem todo mundo exerce esse direito, aliás, a grande maioria não tem acesso a ela, seja por que lhe foi imposto uma fenda nos olhos, seja por que preferem viver em um mundo de ilusões. Eu posso até optar por me manter na aparência das coisas e me negar à verdade; mas quem sou eu pra julgar o que é melhor, o que é importante, o que é significativo pra outra pessoa? Não tem jeito, podemos arrumar mil e um motivos pras mentirinhas e pra mentironas que a gente prega, mas essa é uma atitude totalmente egoísta e autoritária. Além de vilipendiarmos a pessoa com o fato da mentira, ainda a negamos o direito de saber com quem está lidando, quem é realmente a pessoa que lhe diz que ama e do que ela é capaz.
Dizer a verdade, dizer o que fez e até dizer o que pensa significa se mostrar, se revelar, se descobrir. Significa deixar a outra pessoa a par do que você é capaz, até onde você vai e assim, deixar que ela tenha o direito de decidir se ama você assim mesmo ou se não quer mais a sua companhia. Mentir significa se falsear, se proteger e não proteger os outros. Significa uma situação mais fácil, menos dolorida, pelo menos na aparência.
Quem mente sempre conta com a sorte e com a complacência dos outros que não tem nada a ver com a história e que, por não ter nada a ver com a história, acham até bom saber que todo mundo mente e ele não está sozinho nessa.
Não digo que qualquer mentiroso é sem caráter ou que todo mundo que mente o faz por maldade. De jeito nenhum. Tem gente que sofre horrores por “ter” que mentir, mas ainda esses, em última instância, mentem por ser a situação mais confortável.
Tem uma máxima que diz que há dois tipo de gente: os que traem e os que mentem.
Tenho dúvidas quanto a isso porque ser mentiroso é uma construção social, não é genético nem intrinsicamente humano. Mas tem gente que se deixa entranhar em mentiras e que vão mentir pelo resto da vida, sempre arrumando argumentos “convincentes” pra manipulação da verdade. Já há pessoas que se envergonham tanto quando a sorte não ajuda e são pegas na mentira que são até capazes de não mentir mais.
É o que eu acho...mas também posso estar mentindo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Uma luz na involução


Um dia acordei e tinha desvanecido
Pareciam dias normais
Tudo no seu devido lugar
Inclusive tudo de errado, de sujo e de feio
Nada se movia apesar da agonia lasciva
Era apenas um hiato de extensão incerta

Passados infindáveis dias
Algo me ressalta a mim
Tudo ficou fora de lugar
Há vestígios de beleza e prazer no que vejo
Alguém que se descobre onde está
É um mundo alheio aberto a se penetrar

* Às mulheres que não se sabem

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eu também não tenho o que fazer...


Estou acompanhando com muita atenção o desenrolar da história das girafas do zoológico de Sapucaia do Sul. Eram duas girafas e com a morte de uma delas, a outra, Dorotéia, caiu em depressão vindo a falecer logo em seguida. Pudera! Morar noutro continente e agüentar o frio do inverno, ainda vá lá; mas passar por tudo isso sem nem um rosto conhecido, nem um ombro amigo...aí não dá! Se bem que girafas não tem ombros...Bom, mas elas deviam ter um jeito de se fazerem companhia uma à outra.
Agora a novela é a seguinte: Com os eventos internacionais que se avizinham, Copa e Olimpíadas, o zoológico não pode ficar sem girafas. O que tem a ver? Não sei...mas não importa. O importante é que tem dinheiro saindo pelo ladrão e há “verba” pra encomendar direto da África 3 girafas para o zoológico. A turma da proteção animal, lógico, não gostou. É um pessoal que não tem muito que fazer e quando não estão trabalhando, estudando ou cuidando de suas famílias, arrumam um tempo entre seus próprios problemas, para se preocupar e se importar com o problema de outros. Normalmente esses outros são os desprotegidos, oprimidos e explorados... nesse caso: as girafas. Ô povo chato! Tanta coisa pra se preocupar e pra fazer... podendo ir pra praça comemorar a vitória do Lula( ou será da Dilma?!?) ou arrumar uma lavagem de roupa em casa, um DR com o(a) dito(a) cujo(a). Mas não... Passam o domingo inteiro recolhendo assinaturas para tentar impedir a viagem das girafas. Aliás, como será que elas virão? O teto de avião é baixo até pro pescoço do Ciro Gomes, que dirá pro pescoção delas...!!! Talvez seja de navio, então... Que nem na arca de Noé...Bem bonitinhas com a cabecinha pra fora da janelinha redonda. É bom que se enjoarem já vomita no mar mesmo.
O caso das girafas é notícia e comentário no Estado. Muitos, mesmo calados, são contra que venham as pescoçudas. Afinal, nem têm tempo mesmo de ir a zoológicos, pra que gastar dinheiro com isso?! Outros e não são poucos, são contra por solidariedade às girafas e porque é política e ecologicamente correto ser contra. Então, mesmo permanecendo completamente apáticos, esses colocam seu contra nas listas do abaixo-assinado. Não vi até agora ninguém defender com afinco a vinda delas. Só mesmo os que estão direta ou financeiramente ligados no processo. Tem aqueles meio tímidos, sem posição, não tem muitos argumentos, se dizem em dúvida e aí preferem nem comentar. Mas na verdade acho esses querem as girafas no zoológico mesmo e acho também que esses são a grande maioria. O principal (ou o único talvez) argumento dessa maioria parece um argumento bem sensível: Se não houvesse zoológico, como é que as crianças iriam conhecer os animais exóticos?! As famílias têm direito ao lazer e levar as crianças pro zoológico é um ótimo passeio cultural!
Não sei... Eu não tenho a estatística de freqüência do zoológico, mas tenho a impressão que mesmo esses defensores da elevação do nível cultural das nossas crianças preferem ir ao Shopping comer o Big Mac do que viajar até Sapucaia pra ver girafas desnutridas e deprimidas.
Eu sei é que eu não tenho dúvida nenhuma. Se pudesse gerenciar essa “verba” das girafas eu daria quase o mesmo destino para o qual ela está orçada; só mudaria as figuras que seriam enjauladas. Eu traria umas criaturas que eu sempre tive muita curiosidade de ver, saber como é, como vivem, do que se alimentam... jogar pipoca através das grades pra ver eles se engasgarem. Mas, meu pai e minha mãe nunca me levaram pra ver nenhum deles. Traria um Pigmeu, um Esquimó, um Alemão(ariano puro), um Índio norte americano e traria também uma turma de orientais pra ficar toda junta numa jaula só, pra eu enfim saber qual é a diferença entre Japonês, Chinês, Vietnamita, Coreano, etc. Afinal, toda criança tem que conhecer esses seres, elas têm esse direito! Só pelos livros, TV, fotos não basta pra saber que existem e que são de verdade.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Os franceses estão falando, é preciso ouvi-los


Nesse período de eleições
Daria um doce para estar fora daqui
Queria estar nas mobilizações
Atirando pedra no Sarkosy
_______

Os franceses estão falando
Eles têm tradição e sabem o que dizem
Sabem o que estão quebrando
Quebram o silêncio, antes que privatizem
________

Antes que seja privada a previdência
Antes que se morra trabalhando
É preciso gritar com urgência
É preciso ouvir o que eles estão falando

________

Foi na Grécia, é agora na França
Mantêm os lucros e retiram direito
Mas o povo na rua é uma esperança
De trabalhador imprimindo respeito

________

Seja uma ou outro aqui também não demora
Que se cuide quem quer aposentadoria
Depois da palhaçada vai chegar a hora
De mostrar que quem manda é a burguesia

________

Sempre é lá onde canta o galo (da História)
Eu acredito que outros maios(ou outubros) virão
Que se espalhe a ideia e que se aproveite o embalo
Da luta pela liberdade e o fim da exploração

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O importante é reclamar...


O que foi que eu vi em ti, se não passas de alguém formidável?
Como ainda confio em ti se nunca me desapontaste?
Não entendo como ainda aceito teu corpo cheiroso e quente se esfregando no meu.
O que é que eu quero com alguém assim tão agradável?
Tanta gente chata por aí e eu fui arrumar logo a que eu mais queria pra mim.
Não aguento mais tanta beleza.
Que ser sensível és tu que me acompanha nos momentos mais importantes da vida?
Oh, my god! O que eu fiz pra merecer tamanha cumplicidade?
Será que estou fadada à felicidade?
Chega! Não suporto mais tanto amor...não quero nunca mais viver sem ti.

*nem tudo aqui é auto-biográfico.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Em fim, o amor


Que se vá você com sua amante
Chafurde e goze em cima dela
Ela não passa de um objeto cortante
A rasgar meu peito e o seu por tabela

Pode ir e leve seu amor errante
Chega de perdoar sua vida paralela
Ainda és tudo de mais fascinante
Mas não suporto sua ausência de cautela

Vá embora Amor dilacerante
Já não acho mais a vida bela
Siga em frente, passe adiante
Chega agora o fim dessa novela

sábado, 11 de setembro de 2010

Cotidi(anos)


Já não tenho mais aquele amor febril
Minhas veias já não ardem nos braços
Ainda sinto amor nos abraços
Nos desejos de um tempo que nunca se viu
 
O amor não foi embora, ninguém se iludiu
A corda esticou e estreitou os laços
Vivemos fevereiros e marços
Procurando encontrar flores de abril
 
Os dias passam numa disciplina fabril
O tempo alterou nossos traços
E a verdade grita nos amassos
A paixão foi pra... outro lugar

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Grito não excluído (da lembrança)



6 de setembro:

Olhos de menina
Vivendo cenas entre adultos
Uma boca repelindo a minha
Um corpo em movimentos brutos

A noite longa, o tempo curto
Dia seguinte era o Grito
O avião partiu, ficando um vulto
Do corpo, do sexo, do delito

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

É assim que se resolve


Não tem como fazer um bolo sem farinha e fermento.
Nem como fabricar uma cadeira sem martelo e pregos.
Se você não quer sentar-se à mesa para se deliciar do bolo
Suma com a farinha, o fermento, o martelo e os pregos.

Não tem como amar sem sofrer de culpa e de ciúmes
Nem como ser feliz sem amor e sem companhia
Se você não quer chorar e sentir saudades de madrugada
Suma com a culpa, os ciúmes, o amor e a companhia

Pretensa perfeição



Procuro a essência dos pensamentos mais profundos
Disseco-os, julgo-os
Obtenho a excelência dos sentimentos mais humanos
Humano no sentido animal, social
Não no sentido usual

Nunca ser cruel
Ser uma espécie de bedel do meu próprio alter-ego
Não um juiz neutro, sem lado...
Isso me nego
Aceito até um axioma como dado
Contanto que ele não seja cego

segunda-feira, 16 de agosto de 2010


“...A vida era uma questão de abrigo e comida. Para conseguir abrigo e comida os homens vendem coisas. O comerciante vende sapatos, o político vende seu humanismo e o representante do povo, com exceções é claro, vende sua credibilidade; enquanto quase todos vendem sua honra. As mulheres também, nas ruas ou na sagrada relação do casamento, estão prontas a vender seus corpos. Todas as coisas são mercadorias, todas as pessoas compradas e vendidas. A primeira coisa que o trabalhador tinha para vender era a força física. A honra do operariado não tinha preço no mercado. O operariado tinha músculos e somente músculos para vender.(...)
Era o mesmo em todo lugar, crime e traição, traição e crime – homens que estavam vivos não eram honestos nem nobres; homens que eram honestos e nobres não estavam vivos. Então havia uma grande massa sem esperanças, nem nobre nem viva, mas simplesmente honesta. (...) Se fosse nobre e viva, não seria ignorante, e teria se recusado a dividir os lucros do crime e da traição.
Percebi que não gostava de viver no andar de luxo da sociedade. Intelectualmente era aborrecido. Moralmente e espiritualmente, eu estava doente.(...)
Então, voltei à classe operária, na qual havia nascido e à qual permanecia. Não me preocupava mais em subir. O imponente edifício da sociedade não guarda delícias para mim acima da minha cabeça. São os alicerces do edifício que me interessam. Lá eu estou contente de trabalhar, de ferramenta na mão, ombro a ombro com intelectuais, idealistas e operários com consciência de classe, reunindo uma força sólida agora para mais uma vez pôr o edifício inteiro a balançar. Algum dia, quando tivermos poucas mãos e alavancas a mais para trabalhar, vamos derrubá-lo, com toda sua vida em putrefação e sua morte insepulta, seu egoísmo monstruoso e seu materialismo estúpido. Então, vamos limpar os porões e construir uma nova moradia para a espécie humana, onde não haverá andar de luxo, na qual todos os quartos serão claros e arejados, e onde o ar para respirar será limpo, nobre e vivo.
Está é a minha perspectiva. Vejo à frente um tempo em que o homem deverá progredir em direção a alguma coisa mais valiosa e mais elevada que seu estômago, quando haverá maiores estímulos para levar os homens à ação que o incentivo de hoje, que é o incentivo do estômago. Conservo minha crença na nobreza e excelência da Humanidade. Acredito que a doçura e o despojamento espiritual vão superar a gula grosseira dos dias de hoje. E, no fim de tudo, minha fé está na classe trabalhadora. Como tem dito um francês: ‘A escada do tempo está sempre ecoando com um tamanco subindo e uma bota polida descendo’.” (novembro de 1905)

Autor: Jack London(1876-1916, EUA)
Trecho de “A paixão do socialismo” – de vagões e vagabundos e outras histórias. L&PM. São histórias basicamente autobiográficas de alguém que vivem pouco, porém um vida repleta de aventuras e experiências.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Clima em Poa - sexta-feira, 13 de 08



Temperatura:mínma 8° - máxima 18°
Condições: Muitas nuvens e ventania
Umidade: Elevada
Direção do vento: MSL
Pressão:1015pa
Visibilidade: Turva

Oh! Vento minuano,
Sopra e leva esse momento!
Passe inverno desse ano!
Chova tudo e lave meu pensamento!

A bruxa se soltou



Bastou um olhar e fixei
Bastou um sorriso e paralisei
Bastou um sonhar e pensei:
Yo no creo en "sina"
Pero es mejor beber mi "vacina"
Bastou! Você me alucina!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dá-me a paz


Em pleno século XXI
E ainda há discórdia
Em pleno século XXI
E os céus desabam por mixórdia

Ainda o tempo e a distância se perpetuam
Ainda o pecado existe
Por séculos e séculos além

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Afirmação, a negação da negação


Será que menti quando falei a verdade?
Será que falo a verdade quando minto?

A quem estou enganando?
Será tudo um engano?
Será que ninguém está enganado?

A mentira tornou-se verdade após a repetição.
Neguei a mentira para se tornar verdade.
Repetir a verdade fará dela uma mentira.
Negarei a verdade para se tornar mentira.

Ou será que estou enganada?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"Perdas" e ganhos


Fazer aniversário é ao mesmo tempo perder mais um ano de vida, mas é também ganhar mais um ano de de vivências, de experiências, de perdas e de ganhos. Coloquei no título perdas entre aspas porque nem sempre as nossas perdas são perdas mesmo. Alguns vezes sim, são perdas irreparáveis, tipo a minha gatinha que nada no mundo vai trazer ela de volta pra mim. Essa foi A perda...Phoda!!! Mas as vezes são perdas que se transformam em outras coisas, tipo: um amor que se perdeu e virou amizade; um trabalho que se perdeu e se transformou em experiência profissional; uma cidade que deixamos de morar, mas não a perdemos, ela ainda está lá pra gente voltar a qualquer momento... isso tudo são perdas, porém são perdas entre aspas.

Eu, e acho que 99% das outras pessoas também, tenho costume de reclamar do que eu perdi. Natural isso, acho tem que reclamar mesmo pra gente não perder o senso de insatisfação que é o que faz o mundo avançar.

Reclamo que perdi a disciplina da faculdade por falta; reclamo que perdi o aniversário de uma grande amiga(pra tu Bond's); reclamo que perdi ponto vacilando com minhas amigas do coração; reclamo que perdi o avião e só consegui outro 5h depois; reclamo que minha máquina fotográfica foi roubada por um hermano fdp, reclamo então que perdi 200 fotos da minha viagem de aniversário pra Buenos Aires; enfim...reclamo horrores. Adoro reclamar!

Mas a gente precisa aprender a considerar e saudar o que a gente ganha na vida e é por isso que eu escrevo agora, pra dizer o que eu ganhei: Ganhei uma cidade (Poa); ganhei diversas viagens lindíssimas; ganhei no mínimo 3 grandes amores maravilhosos( eu não ganho nem par ou ímpar, mas no amor sou de uma sorte invejável); ganhei ou comprei ap, carro e tudo o mais de material que alguém precisa pra viver legal; ganhei 1kg e meio nessa minha última viagem; ganhei festa de aniversário surpresa mesmo sem eu estar presente; ganhei dezenas de parabéns tri doces de amigos super carinhosos; ganhei cabelos brancos super sexy; o meu time Inter ganhou do São Paulo de 1x0; etc

Daqui pra frente eu vou tentar lembrar e dar mais importância as coisas que eu ganho nessa vida que está cada dia mais longa, felizmente.

Minha amada amiga guriazona, esse post eu dedico a ti que é uma das melhores coisas que eu ganhei vindo morar nessa linda cidade. Vou te levar comigo no coração sempre, não importa onde nós duas estivermos. Obrigada por todo o teu carinho e pela linda e doce surpresa!! (aliás, bota doce nisso...hehehe)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Como dois pagãos II


Olharam-se como se fossem cúmplices
Beijaram-se como se fossem embora
Tocaram-se como se fossem únicos
Pesaram como se flutuassem
Gritaram como se estivessem presos
Respiraram como se estivessem sufocados
Dormiram como se estivessem cançados
Sonharam como se fosse realidade
Acordaram como se tivessem dormido
Sentiram como se tivessem amado

Como dois pagãos I


Não olharam por fora, olharam por dentro
Não perguntaram nome, perguntaram onde
Não perderam tempo, perderam juízo
Não falaram palavra, falaram gestos
Não sentiram cheiro, sentiram gosto
Não usaram força, usaram pele
Não foram longe, foram além
Não tiveram cansaço, tiveram exaustão
Não sentiram culpa, sentiram tesão

terça-feira, 20 de julho de 2010



" O menor de todos os felinos é uma obra-prima." (Leonardo Da Vinci)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Banzo


Demoro ainda
em derramar meu pranto
Carrego por gosto
um banzo dolorido

Há presença ainda
em cada canto
Dessa ausência que deixou
tudo descolorido

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Minha florzinha murchou!


Ela queria ser linda pra mim.
Por isso tomava tanta água e pegava tanto sol.
E eu me esbaldei de alegria por ela ser tão doce, tão feliz.

Hoje o meu dia descarregou. Umas das minhas fontes secou.
Eu sabia que hoje faltaria energia, ela me avisou.
Faltou porque se transformou em caloria e deixou de emanar alegria.

Minha florzinha murchou e vai virar adubo, vai virar lembrança, vai virar saudade.
O fim do dia chegou, sem fonte, sem alegria, sem flor.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Que fome!


Acabou o biscoito
Acabou o pudim
Não gosto de Coca-cola
Hoje tá tudo ruim
Tenho uma Isabela na minha frente
Mas não posso comê-la
Só me resta então ficar com uma pêra

*feito com a preciosa ajuda da Bebel

terça-feira, 6 de julho de 2010

Foi mal...


Quero mudar a sociedade
Parar com o acúmulo de misérias
Com o negócio de vidas
Acabar com o desumano
Recriar o animal
Quero uma sociedade
Onde todo sócio seja pra tudo um amigo

Quero mudar a amizade
Parar com o acúmulo de mesquinharias
Com o negócio de favores
Acabar com os segredos
Recriar a confiança
Quero uma amizade
Assim meio de verdade
Para além dessa sociedade
Quero a amiga "sócia"

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Felicidade é o desejo da repetição.


"O amor entre o homem e o cão é idílico. É um amor sem conflitos, sem cenas dramáticas, sem evolução. Em torno de Tereza e Thomas, Karenin traça o círculo de sua vida, baseada na repetição, esperando deles a mesma coisa.
Se Karenin fosse um ser humano e não um animal, certamente já teria dito à Tereza, há muito tempo: 'Escuta, não acho graça de todos os dias ter que levar um croissant na boca. Não poderia descobrir uma bricadeira diferente?' Essa frase contém toda a condenação do homem. O tempo humano não gira em círculos, mas avança em linha reta. Por isso o homem não pode ser feliz, pois a felicidade é o desejo da repetição.
Sim, a felicidade é o desejo da repetição, pensa Tereza.
Quando o presidente da cooperativa ia passear com seu porco Mefisto depois do trabalho e encontrava Tereza, nunca deixava de dizer: - Dona Tereza! Se ao menos eu e ele nos tivéssemos conhecido antes! Teríamos saído juntos para paquerar as garotas! Nenhuma mulher resiste a dois porcos juntos! - Ouvindo essas palavras, o porco grunhia - tinha sido treinado para isso. Tereza ria, apesar de saber de antemão o que lhe diria o presidente. A repetição não tirava o encanto da brincadeira. Ao contrário. No contexto do idílio, até o humor obedece à doce lei da repetição."

*Para mim, eis o conceito mais completo do que é felicidade. Trata-se de um trecho do livro de Milan Kundera, A Insustentável Leveza do ser, em sua Parte sétima - O sorriso de Karenin, capítulo 4.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Parecia que não pereceria



Minha fonte ao fim do dia
Alimentei-te de amor
Dei-te confiança e energia
Pagaste-me mais, dando-me
apenas a pureza da tua companhia
Já era tanto, já era tudo
me bastava só a tua alegria
Dar-te-ia tudo que tenho
e mesmo assim sinto que ainda te deveria

Minha fonte ao fim do dia
Devo-te respeito e a segurança
de que ficarei sempre de vigia
Peço-te apenas que me avise quando chegar o dia
Tua dor é minha e eu nunca te faltaria
Estarei contigo até ver transformada
a tua, na minha agonia

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Na ilha por vezes habitada


"Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste." José Saramago

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Engano


Desculpe! Foi engano
Eu liguei pra outra pessoa
Que tinha essa mesma voz
Mas era outro tom
Era um tom que me enrubescia

Desculpe! Foi engano
Eu achei que era outra pessoa
Que tinha esses mesmos olhos
Mas o olhar era outro
Era um olhar que me enudecia

Desculpe! Foi engano
Eu procurava por outra pessoa
Que tinha esse mesmo nome
Mas a pessoa era outra
Não era você, eu que me iludia

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sem mais nem menos...


Tenho estado menos calada que observada
Menos observada que questionada
Menos questionada que respeitada
Menos respeitada que controversa
Menos controversa que perdida
Menos perdida que crítica
Menos crítica que ansiosa
Menos ansiosa que apressada
Menos apressada que desanimada
Menos desanimada que aberta
Menos aberta que assediada
Menos assediada que apaixonada
Menos apaixonada que amada
Menos amada que calada

Tenho estado mais calada que contente
Mais contente que triste
Mais triste que séria
Mais séria que sensível
Mais sensível que forte
Mais forte que sensata
Mais sensata que ousada
Mais ousada que esperta
Mais esperta que inteligente
Mais inteligente que interessante
Mais interessante que apaixonante
Mais apaixonante que verdadeira
Mais verdadeira que exposta
Mais exposta que calada

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pra tu...


Nem todo ser humano tem dignidade
Nem todo dia se faz uma bela amizade
Nem todo sorriso é sinal de fraternidade
Nem toda amizade se faz com afinidade
Nem todo grande amigo está na mesma cidade
Nem toda distância é antônimo de proximidade
Nem todo segredo guardado demonstra lealdade
Nem toda linda mulher é uma beldade(pra mim não)
Nem todo beijo na testa é uma possibilidade
Nem toda tecnologia mata a saudade
Nem todo parabéns comemora uma idade
Nem toda Mônica é uma Bond's de verdade
Nem toda hora eu tenho oportunidade
de dizer que eu te adoro com toda a sinceridade

domingo, 30 de maio de 2010

Reconhecendo-me


Porto Alegre me mostrou
que tenho sotaque,
que tenho família.
Família de gente cabra da peste.
Mostrou que sou do nordeste,
com muita alegria.

Porto Alegre me ensinou
o que é sentir frio
e que aqui também tem calor,
tem estio.
Aqui tem até o mesmo nome:
é verão.
Mas o verão aqui não tem a cara da fome.

Outro dia falava a um fulano
que gaúcho peleia muito
mas nem de longe tem o tutano
do povo esquálido lá de cima
que mesmo diante de qualquer clima,
de qualquer sina,
nunca desanima.

Aqui tem muita coisa boa
Cobertor de orelha, parques...
Eu adoro Poa!
Porto Alegre me mostrou
que por mais distante que eu vou
nunca largarei as marcas de onde eu sou.

Marca que tá na minha cara
Da mistura feita na Terra do Sol
De gente miúda e de pele queimada
Gente sempre muito bem humorada
Que não tem a beleza padrão daqui
Mas que endoidece a vida
de muito gente por aí,
do Oiapoque ao Chuí.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Vale à pena conferir...


O cinema, assim como a música e a literatura, me emociona, me ensina, me instiga, me excita, me comove, me questiona, me surpreende. É o papel da arte, se não, pra mim pelo menos, não é arte.
Como se pode ver, não sou muito eclética, respeito muita coisa que chamam de arte, mas verdadeiramente gosto de poucas. Algumas coisas sequer respeito, falo mal mesmo. Sendo assim não sou a melhor pessoa pra sugerir filmes, não sou o que se pode chamar de cinéfila e nem sou alta conhecedora de cineastas, técnicas de filmagem, atores, diretores, etc, mas me atrevo a fazê-lo, afinal o blog é meu mesmo...rsrs

Bertolucci – É sempre um êxtase. Sempre um pano de fundo que por si só já é um espetáculo, sugiro: Os Sonhadores, O Céu que nos protege e O Último Tango em Paris
Tarantino – A violência irônica dele me surpreende e aterroriza com arte. Sugiro: Bastardos Inglórios, Pulp Fiction e Kill Bill.
Almodóvar – A crueza das cenas, o seu método eficiente de mostrar a hipocrisia e beleza das relações humanas me faz gostar até do seu pior filme, vou sugerir apenas três: Volver, Tudo sobre minha mãe, Mulheres à beira de um ataque de nervos.
Ken Loach – A coerência e sensibilidade dele me emocionam e, pra mim, faz dele o melhor. Poderia sugerir todos, mas...: Terra e Liberdade, Ventos da Liberdade, Pão e Rosas.
Chaplin – Um gênio de sua época. Ninguém deveria morrer sem assistir ao menos um desses três: Tempos Modernos, O Grande Ditador, o Garoto
Eisenstein – Muito clássico. Difícil pra quem não vive sem celulares e internet. Mas é outro gênio de sua época. Só sugiro dois, pois foi o que assisti: O Encouraçado Potekim e Outubro.
Bergman – Não gosto. Respeito, mas não gosto. Então não sugiro.
Guel Arraes – Ele ainda tem muito talento pra mostrar. Sugiro: Alto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro, e, um que ainda não assisti, mas tô cheia de expectativa, Romance
Sérgio Bianchi – Só conheço três e recomendo todos: Quanto vale ou é por quilo?, Cronicamente inviável e os Inquilinos.
Jorge Furtado – Este deveria ter ficado quieto depois de Ilha das Flores. Infelizmente não ficou.
Truffaut – Não é meu estilo de jeito nenhum, mas eu respeito muito e até sugiro Julles&Jim e A Mulher do Lado.
Bunuel – Também não sou fã, mas é um clássico que tem sua validade. Sugiro: A bela da tarde, O discreto charme da burguesia, Um cão Andaluz.
Spielberg – Gosto da versatilidade dele. Sugiro: A cor púrpura, AI-Inteligência Artificial, O Terminal
Michael Moore – Odeio a incoerência dele misturada com a coerência dos seus filmes. Sugiro: Tiros em Columbine, Fahrenheit 9/11, Sicko – SOS Saúde.
James Cameron – Não gosto do estilo, mas tenho que sugerir o Avatar, é muito belo.
Wood Allen – Prefiro os mais novos. O tempo lhe deu algo mais além de experiência. Sugiro: Vicky Cristina Barcelona, Melinda e Melinda, Tudo pode dar certo (sugiro pra mim mesma, não assisti ainda)
David Lynch – Não gosto. Muita viagem pra minha cabeça. Mas tem um que eu sugiro: Cidade dos Sonhos.
Polanski – Não gosto do estilo, nem um pouco. Mas me rendo ao Lua de Fel.
Walter Salles – Se existisse burguês progressivo, este seria um. Faz excelentes filmes de deixar qualquer europeu no chinelo. Sugiro: Terra Estrangeira, Abril despedaçado e Paris- Eu te amo (o curta dele é o melhor dentre todos)
Hans Weingartner – Só conheço um filme dele. Mas é um dos melhores que já assisti na vida: Edukators
Philip Kaufman – Por mim ele poderia encerrar a carreira com chave de ouro quando fez A insustentável leveza do ser, ficou tão bom quanto o livro. Mas depois ainda fez um que vale a pena também: Herry&June
Glauber Rocha – É demais pra minha cabecinha. Não sugiro nada, mal consegui assistir Terra em transe. Mas pra quem gosta de maluquice esse é ótimo.
Scorsese - Sugiro: Taxi Driver, Gangues de NY, A última tentação de Cristo.
Jim Jarmusch - Ele diz fazer filmes pra poucas pessoas...eu sou uma delas. Sugiro: Sobre Café e Cigarros, Dear man
Vai ficar em aberto para novos acréscimos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Parafraseando...






"Também não era a minha intenção
Na minha perfeita razão
Mas não podia abrir mão daquela ocasião

Não foi sacanagem, nem empolgação.
Foi pura emoção.

Agora você ficou nessa situação.
Não fale nada, mas também não diga não.
Você não precisa ter correção.
Você tem boa cabeça e melhor ainda é o seu coração.

Eu sei que foi difícil controlar a emoção.
Mas preste atenção.
Não é apenas uma paixão ou muito menos só tesão.

Não nos encontramos em vão.
Então sem fazer confusão.
Na minha opinião.
Não precisa pedir perdão.
Continuaremos a nossa construção."

*Resposta ao meu post anterior, não é meu, por isso está entre aspas.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Perdão


Não foi minha intenção.
Em minha perfeita razão,
Poderia abrir mão.
Não foi sacanagem, foi empolgação.

Agora ficou essa situação:
Não falo nada ou digo não?!
Não tenho mesmo correção.
Pareço não ter cabeça e nem coração.

Eu sei, é difícil controlar a emoção.
Mas preste atenção
É apenas uma paixão
Ou ainda pode ser, só um tesão.

Não nos encontramos em vão
Então, sem fazer confusão
Na minha opinião
Continuaremos nossa construção.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Essência


Afetividade
Fraternidade
Bondade
Solidariedade
Amizade
Parecem ter a ver com idade
ou não...
Talvez tenha a ver com oportunidade

terça-feira, 18 de maio de 2010

Vai entender...


Fico irritada com dois cremes de leite abertos. Duas caixas de leite então... isso me deixa furiosa! Fico irritada também com potes de restinho de comida na geladeira que jamais serão comidos.

Pão integral é irritante. Cebola crua, café e mel também. Ser obrigada a tomar chá de gengibre com mel sem reclamar, pra não haver briga, é algo que me irrita horrores.

É irritante ter que responder a mesma pergunta duas ou três vezes. Pior ainda é perguntar algo duas ou três vezes pra obter uma simples resposta como: Sim, não ou não sei. Aff!! Eu viro bicho quando isso acontece!

Ligar o chuveiro antes de tirar a roupa pra tomar banho me deixa maluca. Pra que isso se o chuveiro é elétrico, não a gás?!

Dormir com duas cobertas, quando uma apenas resolve o problema, e no meio da noite estar pingando de suor é muito irritante. E aquele pé gelado sem meia tocando na minha perna quentinha, dá vontade de matar.

Atrasos de mais de 3 minutos podem me fazer perder o humor o dia inteiro. Ir dormir e deixar o computador ligado me irrita profundamente.

Mas o que me deixaria mesmo completamente irritada e de mau humor seria chegar em casa e não ter nada pra reclamar, ou passar o dia sem nenhuma dessas coisinhas irritantes. Na verdade, eu adoro me irritar e tava morrendo de saudade de tudo isso.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Fica


Primeira impressão

Impossível não te ver
Mas como te querer?
Eras a pedida do momento
Mas era demais pro meu intento.

Segunda Impressão

Algo está errado
Não há dia marcado
E tu sempre estás ali
Ambiente alcoolizado
Falatório alvoroçado
Retirei os olhos de ti

Terceira impressão

Será você a luz no fim do túnel?
Não, não deve ser
É muito pouco pra você
Talvez seja o holofote em cima do estádio...

Quarta impressão

É aquela que fica...
Pra onde você pensa que vai?
Fica!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Navegar é preciso! Mudar não é preciso!


Vai passando o tempo e a gente fica mais paciente. Quando a gente é criança ou adolescente tem pressa pra chegar aos lugares, tem pressa pra chegar aos 18 anos, tem pressa pra acabar o ano escolar, tem pressa pra chegar aos “finalmente”... Na verdade não é bem isso. Não é que a gente fica mais paciente, pois a gente continua com pressa pra chegar o fim do mês, com pressa pra sair do engarrafamento, com pressa pra “bater o ponto”... Na verdade, a gente continua com pressa, mas, depois que cresce, a gente percebe que é preciso ter paciência, ainda que às vezes não se tenha, pois, o que menos queremos, é que o tempo e a vida realmente passem.

Vai passando o tempo e a gente fica mais tolerante. Na adolescência éramos os donos da verdade. Só o que a gente gostava era o que era interessante, o resto era tudo “careta”, chato, fora de moda, “um saco”, “babaca”... Na verdade não é bem isso. Não é que a gente fica mais tolerante. Continuamos intolerantes, ainda que mais ecléticos e mais abertos às novidades e às outras opiniões. Na verdade, a gente continua achando “um saco”, mas agora são os jovens que são um saco. A gente acha que eles são uns “babacas”, sem nada na cabeça. Agora a gente acha chato se divertir como se divertia antes.

Vai passando o tempo e a gente fica mais cauteloso. A juventude tem espírito de aventuras. Quer novas experiências e não tem medo de correr riscos. Corre atrás do que quer, supera obstáculos, arrisca a vida que tem por uma, suposta e sonhadamente, vida melhor. Na verdade não é bem isso. Não é que a gente fica mais cauteloso. A gente continua arriscando na vida, arriscando esperar as coisas caírem do céu, arriscando a coisa melhorar, arriscando ser feliz, mesmo sem procurar os meios para sê-lo. Na verdade, a gente fica mesmo é mais medroso. Porque a gente começa a acumular os anos, e os anos são preciosos, porque acumulam pessoas amadas, acumulam propriedades, acumulam gorduras. Os jovens só têm a si mesmos e a um monte de sonhos na cabeça. Por isso arriscam até as suas vidas por eles. Os maduros carregam consigo várias outras coisas, inclusive um monte de frustrações, aí não arriscam nem uma noite de sono pra ir numa festa no sábado.

Vai passando o tempo e a gente fica mais ponderado. Jovens são rebeldes e radicais por natureza. Tudo é olho por olho, dente por dente. Quer mudar o mundo (os mais egoístas o seu próprio), e tem que ser urgente. Não importa o caminho mais fácil, se esse caminho vai pro lugar errado. O que importa é lutar pra chegar ao lugar certo, pois quando a gente é jovem, a gente quer conhecer esse lugar. Na verdade não é bem isso. Não é que a gente fica mais ponderado. A gente não pondera mais nada depois de certa idade. Somos radicais em sempre escolher o mesmo jeito: o jeito mais fácil pra fazer e pensar as coisas. Se tudo estiver mastigado melhor, a gente só engole. Um jeito diferente, um jeito melhor é descartado logo, sem ponderações, pois, mudar depois de certa idade, não é nada ponderado.

Vai passando o tempo e a gente fica mais mudado. O que a gente gostava antes, já não gosta mais. O que a gente fazia antes, já não faz mais. O que a gente achava certo e errado antes, já não acha mais. E, quando jovem, achamos que vamos pensar, ser e fazer as mesmas coisas pra sempre, pois gostamos do que somos. Na verdade não é bem isso. Não é que a gente tenha mudado. A gente continua gostando daquelas coisas de antes, só que, agora, elas são lembranças. A gente já não faz as mesmas coisas de antes, mas só porque não temos oportunidade, não conseguimos, não fomos capazes ou porque não temos saúde, agilidade, ou até porque fica patético pra nossa idade. E o que antes era certo ou errado , bem lá no fundo, mas bem lá no fundo mesmo, continua sendo certo e errado hoje também. O que acontece é que a gente começa a mudar nossas atitudes por acomodação, por imposição, por sobrevivência, ou por ser mais fácil de “se dar bem”. E aí começamos a arrumar justificativas e argumentos pra essa mudança de atitude, pros nossos erros, pras nossas covardias, pra nossa falta de esperança e pra deixamos de seguir o que é certo. Chegamos até a teorizar sobre quanto e porque mudamos. Mas, na verdade, a gente sabe que são só desculpas pra enganar alguém ou a si mesmo. No fundo a gente sabe que o certo e o errado, o que fomos e o que somos, na aparência e na forma, podem até ser relativos, a depender do tempo e do espaço, mas que na essência e no conteúdo, não mudam, não mudamos.

Como vi num belo e emocionante filme chamado Edukators: “Há pessoas que nunca mudam!”... Eu gostaria de ser uma delas.

domingo, 9 de maio de 2010

Mudança de clima


A noite virou dia
A cerveja virou amônia
O beijo virou embronha
O cansaço virou insônia
O sábado virou família
O calor virou agonia
E antes que eu me desse conta
A mente ficou vazia

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Equipamento de proteção individual


Preciso de pára-raios
para me proteger do raio dos teus olhos
E que o raio dessa lembrança
vá para o raio que o parta...

sábado, 1 de maio de 2010

Viva o 1° de maio!!!!



Vida de operária


Noite curta e dia longo

Três máquinas de fiar e um chefe
que me suga
feito pernilongo
Em casa roupas pra lavar e um moleque
que me chupa
até fazer calombo


E ainda tem aquele mané
que passa o tempo
me incomodando
Tem ciúmes até do Zé
que em dois dias estará
se casando


Futebol, cerveja, nem pensar
que a creche fecha
às seis em ponto
Em casa ainda tem o jantar
que vira almoço e às seis:
está tudo pronto!!

Viva a classe trabalhadora!!!


Vida de operário

Pra ti que não bate ponto

Parece simples, mas é complicado

Chegar atrasado no trampo

Por causa de ônibus lotado



Pra ti que tem QI

Pede aumento, patrão dá

Aqui tem que se unir

Fazer greve pra fábrica parar

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Depois do fim


Desentendimento.
Rompimento.
Sepultamento.

Isso é só o fim...
Depois vem o pior:

Esquecimento.

domingo, 25 de abril de 2010

Eu não digo amem!!


"Os animais do mundo existem para os seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens."
(Alice Walker)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Amar é...


Ir embora no melhor momento.

Voltar quando os momentos ruins chegarem.

Sim, pois ninguém volta para o que estava mal

e nem antes que os momentos bons acabem.