domingo, 17 de julho de 2011

É chegada a aur(ora)


Tem sido assim toda manhã
A mente vazia de sonhos
Mas cheia de planos...
A cama parece rodar
Por eu não conseguir sair do lugar

É como se fosse morder a Maçã
E dali em diante seria o fim da inocência
O começo da ignorância
A vida sem rumo e sem par
Um gemido de dor e pavor a me sufocar

Há os dias da febre terçã
Que queima a pele e todos os enganos
Impede a cura e joga na cara os anos
Eles são implacáveis em denunciar
Que a hora é agora ou jamais será

sábado, 2 de julho de 2011

Que inferno esse inverno!


Sempre preferi o frio ao calor e de certa forma continuo preferindo. Hoje há previsões de uma sensação térmica de mais de 10° abaixo de zero aqui no Sul. A maioria dos meus conterráneos lá de cima não tem sequer noção do significa isso de fato. Eu não tinha quando cheguei por aqui e hoje quando vou tentar descrever como é esse frio, digo que é a mesma coisa que quando você abre a geladeira na intensidade mais alta, ou mesmo o congelador. A sensação é a mesma, só que não é só de frente como ao abrir a geladeira, é por todos os lados; e não é só fechar a geladeira pra acabar o frio, ele está em todos os lugares.
Quando a chuva acompanha o frio é o caos completo. Os ossos doem e é como se facas dilaceracem a carne. Tudo fica sombrio e até as pessoas ficam com um ar depressivo. Nas mãos e nos pés parecem não circular sangue algum e tem horas que ficam totalmente dormentes como se não nos pertencessem mais.
Mesmo assim eu ainda prefiro o frio. As pessoas ficam mais elegantes, a gente não se sente suja, suada, me sinto menos cansada...Fora as guloseimas próprias de inverno e os vinhos tintos que se tomam quase todos os dias.
Mas pra mim é muito fácil preferir o inverno: tenho aquecedor, junquer, secador de cabelo e posso pagar a conta de energia que vem quase o dobro nos meses de inverno; tenho casa, guarda-roupa lotado e uma cama maravilhosa cheia de edredons e cobertas; tenho a cozinha abarrotada de comida(fiz super hoje!) pra forrar o estômago e depois se quiser ir hibernar... e ainda tenho a sorte de ter um cobertor de orelha sempre que eu quiser dormir de conchinha.
Assim é bom né?! Desse jeito quem vai preferir aquele calor insuportável do verão do sul que mais parece as caldeiras do inferno?!
Hoje, depois de ver, saber e perceber o quão infernal é o inverno para muita gente que não tem sequer o que vestir, eu decidi que nunca mais vou dizer que prefiro o inverno. Nunca tinha me caído a ficha antes. Quanto egoísmo de minha parte dizer que adoro inverno!
Como posso gostar de inverno com tanto sofrimento a minha volta? Como ficar contente tomando um vinho, comendo um fondue sabendo que não há para muita criança sequer uma sopa de capelete(aquelas sopas sem graça que mais parecem uma água suja com uma pedaços de massa boiando)?! Como não doer na alma comprar um casaco de 200 reais só pq ele é bonito, sabendo que tem gente na rua colocando jornal no chinelo pra amenizar a unidade que sobe pelas pernas?! Como dormir em paz debaixo de espumas, lãs e algodão pensando na quantidade de cães e gatos sarnentos, sem pelo algum, só feridas, abandonados a própria sorte?!
Que estação infernal é essa meu Deus?!? (Isso é força de expressão apenas... Deus não existe ou se existir, ele sempre passa as férias de inverno na casa do diabo que é quentinho e de lá os dois ficam só zoando lá de cima toda a sua criação se acabando de frio)
Sei que a culpa não é minha e muito menos da natureza que as pessoas passem tão mal no inverno, sei muito bem disso...sei que o problema é mais embaixo... é social, é econômico, é estrutural...não é natural... mas meus neurônios estão congelados e eu só consigo pensar numa culpa cristã que me ensinaram a ter desde que eu era criancinha...
A partir de hoje prefiro o verão aqui nessa terra gelada. Eu posso até morrer de calor ou entrar em completo desespero querendo correr nua pelas ruas, mas pelo menos ficarei menos deprimida e me sentindo a última das criaturas por ter tudo que preciso para passar bem o inverno.

terça-feira, 21 de junho de 2011

São apenas rimas...


Os homens são de Marte
As mulheres são de Vênus
Os homens são de morte
As mulheres são de vida

Os homens têm falo
As mulheres têm faro
Os homens querem foda
As mulheres são foda!

As mulheres são frágeis?...
Os homens são fortes?...
As mulheres são firmes
Os homens são fixos

As mulheres são especiais
Os homens são racionais
As mulheres fingem que são fúteis
Os homens fingem que são úteis

Os homens só pensam em sexo
As mulheres também
As mulheres são a coisa mais linda
Os homens também

As mulheres não têm nexo
É um ser totalmente complexo
Os homens não são desafios
Eles são extremamente óbvios

As mulheres gostam de homens
Alguns homens também
Os homens gostam de mulheres
Algumas mulheres também

Alguns homens traem
Todos os outros, mentem
Algumas mulheres se retraem
Todas as outras, também mentem

*Como diz o título, gostaria que isso fosse apenas uma brincadeira com rimas e ideologias. Essa foi a intenção, uma brincadeira. A maioria das pessoas têm essa visão sexista do que é ser Homem e do que é ser Mulher. Eu não tenho e nem gosto de sexismos. Acredito que a diversidade é humana e os gêneros são construídos (ocasionalmente também podem ser destruídos, e isso não tem o menor problema!)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Não me caso com quem toma banho pela manhã


Na verdade esse título é só pra impressionar, que nem aquelas chamadas sensacionalistas de jornal fuleiro. Eu nem pretendo casar, morar junto outra vez. Tô fora! Casas separadas é a solução mais moderna para os mais modernos casamentos. Espero não morder a língua dizendo isso. Sei lá, vai que eu enlouqueço e volto a morar junto de novo! Mas, mesmo no caso de enlouquecer, não quero saber de ninguém que tome banho pela manhã. Melhor dizendo, ninguém que tome banho só pela manhã. Se tomar mais de um durante o dia tá ótimo, mas só pela manhã é absurdo!
Uma pessoa asseada toma banho pela manhã se durante a madrugada fez algum tipo de atividade física, transou, saiu pra balada, dançou...ou se tá no verão e acorda suada e aí sim, precisa de um banho. Pessoa limpinha toma mais de um banho. Até dá pra tomar só um, no inverno, por exemplo, isso é tranquilo. Mas do banho da noite antes de dormir não se pode escapar. Como é que alguém consegue não tomar banho antes de dormir, tendo passado o dia inteiro trabalhando, pegando fuligem dos carros, tomando ônibus, recebendo todo tipo de ar contaminado de vírus, bactérias, fungos... arg!!! Sem falar que mesmo parada em casa a pessoa passa o dia transpirando, largando gordura e células mortas da pele. Aí, depois de tá imunda, chega a hora de deitar na cama, que deveria ser o lugar mais limpo da casa( eu acho) a pessoa se deita e dorme. Às vezes dorme com a mesma roupa que passou o dia inteiro, fica com a calcinha/cueca suja...arg, arg, arg!!!!! E ainda tem o disparate de ir com enxerimento se escalando pra se dá bem, a criatura toda suja. Que horror!! arg, arg, arg, arg, arg, arg, arg!!! (8 vezes) Deusmelivre!!! Nem com camisinha de corpo inteiro...

Qual é a lógica de tomar banho de manhã? Se quando a pessoa menos se suja é quando tá dormindo? Toma banho pra depois começar a se sujar na rua. É que nem escovar os dentes logo que se acorda, depois tomar café da manhã e sair sem escovar os dentes de novo. Outro absurdo! Tem que escovar duas vezes ou se for escolher uma vez só, porque duas vezes ficaria muito perto uma da outra, que escove depois do café e não antes. Alguém já ouviu falar em escovar os dentes antes das refeições? Claro que não, é sempre depois. Aff!

Sendo assim, pra mim é critério de seleção: tem que tomar banho de noite antes de dormir, caso contrário vai dormir na sala, comigo não.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Ponto Final


Fiquei tão impactada com o filme que assisti ontem que precisei escrever a respeito. Trata-se de MATCH POINT, um filme não tão novo do Woody Allen, que eu gosto muito, e com a lindíssima Scarlett Johansson.

O roteiro não é novo, uma adaptação de Crime e Castigo do Dostoyevski que é outro que eu gosto muito por sempre conseguir ir às profundezas da sordidez humana. O protagonista, um belo e jovem rapaz que casa-se por conveniência com uma burguesinha e apaixona-se por uma “inconveniente” atriz fracassada. No filme pelo menos, ele não é exatamente o que se pode chamar de um mau caráter. É apenas um cara ambicioso, oriundo da classe média irlandesa que almeja “subir na vida”. É também muito hábil em aproveitar a sorte de ser jovem, belo, inteligente e estar no dia certo, na hora certa, conhecendo as pessoas certas que o levarão ao cerne de uma tradicional e riquíssima família inglesa. A não ser pela “pulada de cerca”, ele não faz nada ilegal, nada desonesto ou nada que a moral capitalista recrimine, condene ou puna com prisão ou censura. Torna-se em pouco tempo, além de rico, um “bom” homem de negócios e um “bom” marido.

Mas, até mesmo para um ambicioso, a felicidade está, também, no amor. O amor que potencializa, que diverte, que encanta, que excita a vida.

Acontece que não é só o amor que tem a capacidade de produzir tão importantes sentimentos para a alma humana. O dinheiro também faz isso. Quem é pobre, com dinheiro fica rico. Quem é feio, com dinheiro se arruma, faz plástica e fica bonito. Quem é medíocre pode ser o melhor. Quem é triste pode ir à terapia, às compras no shopping e ficar feliz. Quem é desonesto pode se safar. Quem vê tudo cinza pode se encantar com as mais diversas e belas artes produzidas pela humanidade. Quem está entediado pode brincar com os filhos ou se excitar com vários(as) amantes - e sustentá-los(las)!!!

Sem hipocrisias, nessa sociedade o dinheiro também pode potencializar o que há de melhor nas pessoas e pode deixá-las permanentemente encantadas, excitadas e contentes. Ou alguém pensa que a burguesia é infeliz? Que dinheiro não traz felicidade? Pieguices à parte, eles são felizes e muito. Só pelo fato de terem tempo de usufruir das coisas boas da vida – artes, família, amigos, comidas, bebidas, natureza, luxos, viagens - sem ter que trabalhar feito um condenado pra viver, já faz dos burgueses pessoas muito felizes. Para além disso que o dinheiro compra, eles ainda também tem direito ao amor e amor de verdade. Burguês também ama. Aí, para estes, com dinheiro e amor, é só viver em plenitude!

O burguesinho bonito e apaixonado do filme, depois de tantos momentos de sorte, teve o azar de o amor entrar em conflito com o dinheiro (algo bem incomum nessa classe social, pois normalmente aí, essas duas coisas andam casadas). Então, ele teve que escolher. E fez a escolha óbvia para existência* dele.

O filme me impactou não pela resolução final do enredo criado, e sim pela profundidade, o peso e a contradição dos sentimentos envolvendo a personagem do rapaz ambicioso. Minha consciência é a da minha classe e a da minha existência, tenho poucas coisas, então fico com náuseas quando me deparo com os sentimentos sórdidos que a posse de riquezas materiais pode causar. Pensei no dia em que quis (por alguns minutos apenas, mas quis) esganar o adolescente que roubou a minha máquina fotográfica no último dia de viagem a Buenos Aires. Imaginem o que eu não quereria se me estivesse ameaçado todo um império em patrimônios?!

Marx explica (não justifica) o porquê de tantos Paloccis, Delúbios, Dirceus, ACM’s, Collors, Sarneis, Maluf’s,etc... Roubar, matar, enganar, trair tem valor diferente dependendo de quanto você tem no banco, ou se você ao menos tem conta corrente.

* A existência determina a consciência. (Karl Marx)

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dormência


Por falar em droga
Vício me lembra o teu gosto e tua pegada
Que ontem me deixou completamente embriagada


Por falar em praga
Não consigo trabalhar, não consigo fazer nada
É como se eu estivesse totalmente adoentada


Por falar em flagra
Me peguei sorrindo à toa, sonhando acordada
Pensando que estou sinceramente apaixonada

domingo, 8 de maio de 2011

Filha de peixe, corujinha é


Uma é bem normal, a outra é muito bonita ( e sabe disso!)
Uma tem uma luta fundamental, a outra luta pelo que acredita
Cada uma escrevendo uma história legal nesse mundo que por hora habita

O mesmo jeito de andar, a mesma seriedade no rosto
Nada parecidas no pensar, poucas coisas de mesmo gosto
Pela cara não há como negar, mas no resto são quase o oposto

Em comum tem a sensibilidade e o grande respeito pela vida
Uma sonha com o fim da crueldade e pelos frágeis age de forma aguerrida
A outra briga por iguadade e por um mundo justo segue destemida

Duas pessoas fisicamente distantes, ligadas pelo cordão umbilical
Duas mulheres militantes, cada uma com o seu ideal
Duas criaturas interessantes unidas por um imenso amor maternal(ou filial!)

*Orgulhosamente, para mamãe.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Dívida eterna


Não te devo mais nada
Não te devo a verdade e nem tenho que te dar satisfação
Conheces bem minha liberdade e sabes que dela
não vou abrir mão

Não te devo mais nada
Já paguei tudo que devia. Já te dei tudo que havia
Já te dei toda a alegria. Já sofri tudo que podia.

Não te devo mais nada
Nem sexo, nem carinho, nem companhia
Já te provei que te quero até mais, muito mais do que deveria

Eu não te devo mais nada
Pare de me cobrar em silêncio os juros dos erros que cometi
Pare de sofrer calada por intuíres coisas que eu te menti

Eu não te devo mais nada
Mesmo assim vivo um tormento profundo
Sinto minha dívida ainda ativa
Como o príncipe pequeno que leva as dores do mundo
E que se sente responsável por aquilo que cativa

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Vás


Distantes estão os que nunca se encontraram
Os que moram ao lado e não se sabem
Os que vivem juntos e nunca se amaram
Que sequer se conhecem e nem se percebem

Nós ultrapassamos as fronteiras do que é físico
O amor pode ser comparsa ou vítima dos frios espaços
E também do tempo que solidifica o que fora líquido
Que faz apurar apenas a essência dos nossos laços

Não te perturbes e sofra tanto meu bem querer
Eu também sou parte tutora daqueles que cativas
Eu sempre serei e não há como isso reverter
Estarei aqui junto a ti ou por onde tu prossigas

Veja bem, a vida é bela e as pessoas mal sabem.(que pena!)
Os dias passam ingratos e parados a nossa revelia
Rápido! Sigamos em frente... As portas se abrem
Sei que a gente será pra sempre... mas sempre não é todo dia

domingo, 24 de abril de 2011

A História depende de quem conta



Versão 1: "Finalmente as ilhas do Caribe deixou de pagar tributos, porque desapareceu: os indígenas foram completamente exterminados nas lavagens de ouro, na terrível tarefa de revolver as areias auríferas com a metade do corpo mergulhada na água, ou lavrando os campos até a extenuação, com as costas dobradas sobre os pesados instrumentos de aragem trazidos da Espanha. Muitos indígenas da Ilha Dominicana antecipavam-se ao destino imposto por seus nosvos opressores brancos: matavam seus filhos e se suicidavam em massa." (Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina. Motevidéo/1970)

Versão 2: "Os índios não foram totalmente exterminados. Seus gens subsistem nos cromossomos cubanos. Eles sentiam uma tal aversão pela tensão que exige o trabalho contínuo, que alguns se suicidam antes de aceitar o trabalho forçado(...)Muitos deles, por passatempo, mataram-se com veneno para não trabalhar, e outros se enforcaram com as próprias mãos" ( Gonzalo Fernádez de Oviedo, Historia general y natural de las Índias. Madri/1959)

Qual a versão verdadeira?
Eu diria que: como "a existência determina a consciência"(Marx), depende da existência de quem lê.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Soneto de amor angustiado


Tanta pressa, pesar...Que mundo cruel!
Do que sentes agora, meu peito corrói
De nada adianta angústias no papel
Apenas exortação daquilo que me dói

Adoro tanto e de tanto te amar
Me esqueço em ti e adio o prazer
Do que reclamo? És tu meu bem-estar
"A vida é bela", não me deixes esquecer

Também tenho medo, ano a ano se seguindo
Lutar pra quê? Fazer o quê? Melhor esqucer...
Onde vamos? O que estamos construindo?

Meu amor! Parte do que sou é tua vida na minha
Sejamos fortes, sigamos nós, eu e você
Ainda há tempo da gente ver o mundo entrar na linha

sábado, 26 de março de 2011

Demorou


O amor me deixou hoje...
Pedi pra ele ficar
e ele até ficou por um tempo
Se fingindo de amigo

Mas enfim ele está longe...
Não quis mais relutar
e agora vou ter o meu momento
De olhar só pro meu umbigo

sábado, 29 de janeiro de 2011

Qualquer coincidência é mera semelhança...

França 1968

Brasil 1968

China 1989

Palestina 2007

Egito 2011

A História acontece como tragédia e se repete como farsa


"Uma nação pode sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos.
Mas não pode sobreviver à traição gerada dentro de si mesma.

Um inimigo exterior não é tão perigoso, porque é conhecido e carrega suas
bandeiras abertamente.

Mas o traidor se move livremente dentro do governo, seus melífluos sussurros
são ouvidos entre todos e ecoam no próprio vestíbulo do Estado.

E esse traidor não parece ser um traidor; ele, fala com familiaridade a suas
vítimas, usa sua face e suas roupas e apela aos sentimentos que se alojam no
coração de todas as pessoas.

Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite
para demolir as fundações da Nação; Ele infecta o corpo político a tal ponto
que este sucumbe."

(Discurso de Cícero, 42 a.C.)

* O título é uma conclusão de Marx, em 18 Brumário, sobre os acontecimentos na França com a subida ao poder de Luís Bonaparte, sobrinho do mais famoso, o Napoleão.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Surto kantiano


Duas coisas me enchem de orgulho, admiração e respeito: o "ronrosnar" das minhas felinas e a qualidade moral e firmeza da minha auto-crítica.

*Imperativo categórico de Kant: "Age somente, segundo uma máxima tal, que possas querer ao mesmo tempo que se torne lei universal"

Dona Eva: Presente!


Vida comum e sempre muito dura
Fartura só de trabalho
Negra pequena e forte de pele muito escura
Guerreira, batalhou pra caralho

Não foi muito longe, chegou onde pode
Uma vida pobre, rica de dignidade
Quis descansar, perito diz: ainda tem saúde!
Vai se aposentar, mas deixando saudade

É uma senhora que morre como tantas outras
Mas pra mim era uma mulher como outras tantas
Que nasce sem prós, só existem contras
E que seguem com fé e força, como se fossem santas

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Tanta gente sem casa e tanta casa sem gente!


"Quando morar é um privilégio, ocupar é um direito!"

Minha indignação pelos que morreram e minha solidariedade aos trabalhadores que sobreviveram às chuvas e enchentes no Rio de Janeiro no dia de hoje e que se encontram em absoluto estado de miséria!
Que não se desesperem...
Que não adoeçam seus corpos...
Que não se cansem de lutar...
Que não desistam de viver...
Que não se deixem enganar...
Que se indignem com a situação...
Que se unam aos seus pares...(e só aos seus pares)
Que se rebelem com tudo...
Que insistam!
Que ocupem!
Que resistam!
Que vençam!

Aos esquecidos milhares de animais cariocas, maiores vítimas de tudo e de todos, ficam minhas lágrimas...não valem nada, mas é com o mais profundo pesar!

E que se fodam a Globo, o Governo, o Ronaldinho e o Flamengo...!!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

De uma remalina destacada


Fui útil enquanto estive presa a você.
Estava sempre ali, à margem, servindo de tracionamento para que pudesses correr livremente e assim imprimir sua história.
Agora que estás preenchido do cabeçalho ao rodapé, sou descartada como lixo.
Que triste fim! Todos sentem prazer em arrancar-me através do picote.
Oh! Meu querido! Juntos éramos um formulário contínuo! Eu sem você não passo de uma fita furada... E você também não durará muito, pois o mundo agora é da A4 e já te usam como rascunho.
Em breve seremos os dois obsoletos!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Relíquia


Realmente ele custa muito caro. Mas é que ele demorou muitos anos pra ficar assim desse jeito; com esse cheiro único e com essa forma delineada de seios perfeitos e de ancas baixas.
O valor dele não é medido apenas por horas trabalhadas + o lucro embutido. Ele vale também pelo quanto saiu a passear pelas ruas e os lugares que conheceu. Vale pelo quanto balançou ao vento no ritmo de passos elegantes. Vale o quanto ocupou espaço no guarda-roupa e no varal ao sol daqueles dias de primavera.
Esse cerzido perto do fecho não é um problema, na verdade foi a solução encontrada, consequência da pressa pra se livrar daquele zíper inoportuno.
Trouxe aqui nessa loja de usados não por ele estar velho, não por valer pouco, ao contrário, trouxe aqui por não encontrar butique ou shopping à altura dele. Essas modernidades não estão com nada, estão fora da minha moda e me enjoam.
Por que me desfaço dele? Ah meu amigo!! A vida é assim mesmo... Eu é que estou me desfazendo aos poucos, a vida não tem sentido sem ela e preciso dar outra vida a esse vestido antes que eu morra de saudades.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dialética



É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

Vinícius de Moraes

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Versinhos meio fora de época


Teu sorriso me harmoniza o dia
Por ser meigo, lindo e de ocasião
Ele é tipo aquela doçura... a lichia(lembra?)
Até encontro aqui, mas não é fácil não

Acho que nunca mais terei a alegria
De vê-lo brotar... de tocá-lo com a mão
Mas o desejo nutri e mantém a fantasia
Espero ano todo como a uma fruta de estação

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Passou...


Imagens passam pelo retrovisor
Não pude congelá-las
Elas ainda estão ali
Ainda existem
Mas ficaram para trás

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dieta Sem o Com


Acordei e só tinha café
Ao meio dia só tinha feijão
De sobremesa só tinha queijo
No jantar só tinha pão
Vou dormir sem tudo que tinha
E acordar sem com(panhia) e sem chão

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Preservar = nome bonito pra mentir


Hoje em dia, não mentir pra quem a gente ama parece ser no mínimo algo insólito, pois normal, e alguns defendem que seja o mais correto, é não dizer a verdade em alguns casos. Esses casos variam entre a importância e relevância da mentira e a conveniência do mentiroso. E quem avalia se o caso é assim ou assado é o autor da mentira. Ao enganado resta a obscuridade total.
Às vezes, dizer a verdade transforma o sujeito num insensível, num sádico. O objeto da mentira e a mentira em si são amenizados diante da falta de consideração que é confessar a mentira à pessoa enganada. A mentira é relativa, eu sei. Há mentiras e mentiras. Algumas não alteram nada a relação, não haverá conseqüências e aí pra que contar?! Só pra machucar a pessoa?! Não vai mudar nada...não vale a pena contar.
Porra nenhuma! Mentira é mentira aqui e na China. Seja ela pequena ou grande, complicada ou simples, importante ou banal, relevante ou sem conseqüência. Quer mentir, minta. É uma escolha e você pode até se sentir melhor assim e achar que tá deixando todo mundo feliz. Mas, isso se chama mentira e não adianta querer dar outro nome.
A meu ver, todas as pessoas têm direito de saber a realidade. Nem todo mundo exerce esse direito, aliás, a grande maioria não tem acesso a ela, seja por que lhe foi imposto uma fenda nos olhos, seja por que preferem viver em um mundo de ilusões. Eu posso até optar por me manter na aparência das coisas e me negar à verdade; mas quem sou eu pra julgar o que é melhor, o que é importante, o que é significativo pra outra pessoa? Não tem jeito, podemos arrumar mil e um motivos pras mentirinhas e pra mentironas que a gente prega, mas essa é uma atitude totalmente egoísta e autoritária. Além de vilipendiarmos a pessoa com o fato da mentira, ainda a negamos o direito de saber com quem está lidando, quem é realmente a pessoa que lhe diz que ama e do que ela é capaz.
Dizer a verdade, dizer o que fez e até dizer o que pensa significa se mostrar, se revelar, se descobrir. Significa deixar a outra pessoa a par do que você é capaz, até onde você vai e assim, deixar que ela tenha o direito de decidir se ama você assim mesmo ou se não quer mais a sua companhia. Mentir significa se falsear, se proteger e não proteger os outros. Significa uma situação mais fácil, menos dolorida, pelo menos na aparência.
Quem mente sempre conta com a sorte e com a complacência dos outros que não tem nada a ver com a história e que, por não ter nada a ver com a história, acham até bom saber que todo mundo mente e ele não está sozinho nessa.
Não digo que qualquer mentiroso é sem caráter ou que todo mundo que mente o faz por maldade. De jeito nenhum. Tem gente que sofre horrores por “ter” que mentir, mas ainda esses, em última instância, mentem por ser a situação mais confortável.
Tem uma máxima que diz que há dois tipo de gente: os que traem e os que mentem.
Tenho dúvidas quanto a isso porque ser mentiroso é uma construção social, não é genético nem intrinsicamente humano. Mas tem gente que se deixa entranhar em mentiras e que vão mentir pelo resto da vida, sempre arrumando argumentos “convincentes” pra manipulação da verdade. Já há pessoas que se envergonham tanto quando a sorte não ajuda e são pegas na mentira que são até capazes de não mentir mais.
É o que eu acho...mas também posso estar mentindo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Uma luz na involução


Um dia acordei e tinha desvanecido
Pareciam dias normais
Tudo no seu devido lugar
Inclusive tudo de errado, de sujo e de feio
Nada se movia apesar da agonia lasciva
Era apenas um hiato de extensão incerta

Passados infindáveis dias
Algo me ressalta a mim
Tudo ficou fora de lugar
Há vestígios de beleza e prazer no que vejo
Alguém que se descobre onde está
É um mundo alheio aberto a se penetrar

* Às mulheres que não se sabem