
No começo é difícil perceber que algumas coisas não são pra sempre.
O tênis preferido, as férias na praia, os amigos de escola, a mãe, o pai...
Aí a gente se angustia, chora, mas acaba aprendendo a conviver com as perdas.
A gente cresce e a angústia cresce também, porque descobre que nada é pra sempre.
Nem a humanidade é pra sempre. Descobre que diante de tudo que existe, tudo é frágil, é pequeno. Diante da eternidade, não há pra sempre, tudo é efêmero.
Mas a gente se acostuma com essa angústia e segue em frente, contando que nossa geração ainda está bem e o que há de pior vai ficar por conta das próximas.
O que não dá pra acostumar é saber que o amor não é pra sempre.
É como banho gelado, não dá pra acostumar, é sempre ruim. A gente evita ao máximo o banho gelado e o fim do amor, até que não suporta mais e sucumbe. E a angústia corroí, dilacera os ossos como um banho de água gelada.


Nenhum comentário:
Postar um comentário