quarta-feira, 31 de março de 2010

Auto-insulto


Não importam as respostas
Nem sempre há respostas
O que interessa são as perguntas
As perguntas são necessárias

Quero saber fazer perguntas
Quero mais ainda aquelas sem respostas

sábado, 27 de março de 2010

Sensações de um eu desnorteado (passando pela Farrapos)


Como prostituta
Desconfiada quando no carro entra
Aliviada quando do carro sai

Como prostituta
Apressada quando no quarto entra
Enojada quando do quarto sai

Como prostituta
Dolorida quando no corpo entra
Fudida quando do corpo sai

Como prostituta
Oprimida quando em casa entra
Discriminada quando de casa sai

Como prostituta
Perdida quando na vida entra
Esquecida quando da vida sai

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ode à Fruta do Conde


Adoro fruta do conde!
Tenho preguiça de comer frutas.
Mamão, maçã, uva, banana, melancia...laranja então!
Eu até gosto, mas dá tanto trabalho de lavar, descascar, cortar...putz!
Mas pela fruta do conde, ou pinha, ou ata, ou ariticum gasto todo o tempo do mundo.
Como ela lentamente e posso fazer a maior lambança que eu nem me incomodo.
E olha que eu detesto meladeira!

Não deve ser a troco de nada que é a fruta do conde.
Não sei que conde era esse e nem que barbaridade ele deve ter feito pra conseguir suas frutas, mas sei que ele tinha bom gosto e que pela pinha vale mesmo cometer loucuras.

Acho que fruta do conde é que nem sexo. Dá trabalho, faz lambança, mas é tão maravilhoso que a gente demora pra comer, fica se deliciando e por ela/ele a gente comete loucuras.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Matemática X Amor


Seja uma função do tipo y = 10/x , se atribuimos qualquer valor natural ao x, teremos um valor definido para o y no conjunto dos racionais positivos;
exceto se o x for igual a zero, pois se x = 0, nós teremos y = 10/0 ???
Isso, em matemática não existe, chama-se uma indeterminação matemática.

Note também que, quando aumentamos o valor de x, o valor de y diminui. Por exemplo:

Se x = 2, y = 5.
Se x = 5, y = 2.
Se x = 8, y = 1,25.

Vamos comparar agora tudo isso com o amor:

Considerando essa mesma função acima, y = 10/x:
chamaremos y = amor de fulano e x = amor de beltrano

Veja que o amor de beltrano nunca se acaba, pode até diminuir, mas nunca chega a zero. Porém, quanto mais o beltrano ama o fulano, menos o fulano ama o beltrano.

É fato que existem inúmeros tipos de funções e também inúmeros tipos de amores.

Em uma função do tipo y = x² , já é diferente. O amor de fulano aumenta na medida que o de beltrano também aumenta.
Numa função do tipo y = x + 1, praticamente os dois amores andariam sempre juntos.

Matematicamente ou amorosamente falando, assim como y está função de x, um amor está em função do outro. Precisamos achar os valores certos para as nossas equações ou achar as equações certas para os nossos valores. A solução do problema é quando os dois lados da equação estão balanceados.

Viu como matemática é um amor?!?!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dia 22


Dia 22 de 09 atendia a ligação
Dia 22 de 11 sofri de aflição
Dia 22 de 12 provei a tentação
Dia 22 de 01 morria de paixão
Dia 22 de 03 cheguei no avião

22 noites de prazer
22 brigas de enlouquecer
22 amigos por fazer
22 livros pra ler

22 meses se passaram
22 músicas se ouviram
22 filmes se assistiram
22 viagens se aproveitaram

Dia 22 foi esquecido
Dia 22 foi confudido
Dia 22 foi corrompido
Dia 22 foi escondido

Hoje é 22... há que se comemorar!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Eu acho que...

Tão forte quanto os laços de família é uma verdadeira amizade
Tão simbólico quanto a aliança é a lua-de-mel
Tão bobo quanto casar na igreja é se negar a casar de qualquer jeito
Tão opressor quanto lavar cueca do marido é usar o nome dele
Tão difícil quanto a monogamia é a poligamia
Tão justo quanto o casamento é a união civil
Tão criminoso quanto o preconceito é a discriminação

Tão sex quanto o Jude Low é a Juliette Binoche
Tão inútil quanto as novelas é se negar a vê-las
Tão patético quanto o Gugu é o BBB
Tão ridículo quanto funk é a música sertaneja
Tão boa quanto Cássia Eller é Maria Gadú
Tão talentoso quanto Caetano é Djavan
Tão perfeito quanto Chico Duarque é Nando Reis

Tão nefasto quanto os políticos é se abster de política
Tão corrupto quanto o PT é o PSDB
Tão urgente quanto a reforma agrária é a reforma urbana
Tão importante quanto o operário é o camponês
Tão certo quanto o capitalismo é o fim dele
Tão incerto quanto o socialismo é a barbárie
Tão impossível quanto uma revolução é um mundo diferente sem ela

Tão viciante quanto o orkut é o msn
Tão adorável quanto gato é o cachorro
Tão gostoso quanto o pudim é o pavé
Tão esperto quanto o Piu-piu é o Snoopy
Tão sínico quanto o Frajola é o Garfield
Tão antigo quanto o Kichute é o Conga
Tão interessante quanto o cinema francês é o cinema argentino

Tão excitante quanto a música é a poesia
Tão bonito quanto o amanhecer é o anoitecer
Tão belo quanto o homem é a mulher
Tão cruel quanto o ciúme é a saudade
Tão necessário quanto o sexo é o carinho
Tão possível quanto amar é esquecer
Tão longe quanto você está de mim é quanto eu estou de você

quarta-feira, 17 de março de 2010

No rumo da venta


Tenho a CABEÇA perdida...
Mas sou dona do meu NARIZ
Posso fechar o OLHOS e
Meter a BOCA no mundo
Quem sabe encontro um motivo
Para dar um SORRISO
Que vá de uma ORELHA à outra

Parágrafo mal feito



Esse parágrafo não podia ter terminado assim
Ainda tinha tantas interrogações a fazer
Tantos parênteses entre uma frase e outra
Tenho passado vírgulas e ponto e vírgulas
pensando em dois pontos
Nas exclamações que podíamos dar
e no ponto final que não deveria haver

domingo, 14 de março de 2010

Quer me chamar? Quer me cantar?

________________
__________Lá___
_______________
Mi ____________
____ Ré________

sexta-feira, 12 de março de 2010

Crise dos sete anos


Depois de escrever para as mulheres da minha vida me senti em dívida com os homens. Então...

Tinha quase sete anos quando descobri que o primeiro homem da minha vida não era um herói, era um homem bem comum. Mas que ele seria pra sempre, só que pra sempre não era mais todo dia. Contudo, impôs sua importância ao longo da minha vida mesmo quando as visitas passaram de fim de semana sim, outro não, para de ano em ano.

Não foi uma perda propriamente dita, até porque logo em seguida descobri o segundo homem da minha vida e, esse sim, era um herói. Era o melhor e era imprescindível. Fazia cócegas, ensinava a tarefa de casa, arrumava minha bagunça, reclamava dos meus pés descalços...Parecia um pai, mas só tinha sete anos a mais que eu. As semelhanças e afinidades nos afastaram pra sempre. Foi minha primeira perda e foi difícil, pois como superar a morte de alguém que permanece vivinho da silva?!

Aos 17 surgiu o meu terceiro homem. Em certo sentido foi também o primeiro e posso dizer que foi o último, já que os posteriores foram apenas detalhes sórdidos em minha vida. Esse não era em nada especial, pelo menos a olhos nus. Porém, com meus olhos apaixonados, cheios de um amor absurdo, o fiz um homem quase perfeito. Esse também foi embora, não pude evitar, não houve tempo pra me arrepender. Essa foi a minha segunda perda e foi A perda. Levei no mínimo sete anos pra superá-la...ou pra suportá-la.

Ainda tenho um grande, literalmente grande, homem na minha vida, é meu maior amigo. Sinto que as diferenças e a falta de afinidades podem me causar uma nova grande perda... já tenho sofrido por isso.

Assim, 7 e 7 são 14 com mais 7 , 21... e mais 7 são 28.
Hoje, idos 28 anos do primeiro homem, 21 do segundo e 14 do terceiro, posso dizer que eles foram imprescindíveis à sua época e influenciaram em grande parte o que tenho de bom em mim.

Foram-se o primeiro, o segundo e o terceiro... Será que tá na hora de arrumar o derradeiro? Quem sabe um herdeiro.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres boas vão para o céu, mulheres más vão à luta!



Uma homenagem

À Clara Zetkin
À Rosa Luxemburgo
À Alexandra Kollontai
À Natália Sedova
À Nadia Krupskaia
À Anita Garibaldi
À Olga Benário
À Patricia Galvão(Pagu)
À Haydée Santamaría
À Felice e Lilly(Jaguar e Aimée)
À Chiquinha Gonzaga
À Frida kahlo
À Simone de Beauvoir
À Virgínia Wolf
À Joana D'Arc
e especialmente às trabalhadoras haitianas!!!

domingo, 7 de março de 2010

Pra sempre III ( Palavras fortes )


É bom evitar dizer palavras fortes

Nunca, sempre, nada, tudo...

Por que nunca é pra sempre

E tudo se resume em nada

Pra sempre II ( Água gelada )


No começo é difícil perceber que algumas coisas não são pra sempre.
O tênis preferido, as férias na praia, os amigos de escola, a mãe, o pai...
Aí a gente se angustia, chora, mas acaba aprendendo a conviver com as perdas.

A gente cresce e a angústia cresce também, porque descobre que nada é pra sempre.
Nem a humanidade é pra sempre. Descobre que diante de tudo que existe, tudo é frágil, é pequeno. Diante da eternidade, não há pra sempre, tudo é efêmero.
Mas a gente se acostuma com essa angústia e segue em frente, contando que nossa geração ainda está bem e o que há de pior vai ficar por conta das próximas.

O que não dá pra acostumar é saber que o amor não é pra sempre.
É como banho gelado, não dá pra acostumar, é sempre ruim. A gente evita ao máximo o banho gelado e o fim do amor, até que não suporta mais e sucumbe. E a angústia corroí, dilacera os ossos como um banho de água gelada.

Pra sempre I ( viajando! )



Tem gente que acumula dinheiro como se fosse viver pra sempre, aí morre em cima do dinheiro.

Tem gente que se arrisca em aventuras perigosas como se fosse viver pra sempre, aí morre de acidente.

Tem gente que não se arrisca nunca, mal sai de casa como se quisesse viver pra sempre, aí morre de úlcera.

Tem gente que não vive, apenas sobrevive e tem medo de sofrer e viver pra sempre, aí morre de fome.

Tem gente que aproveita dia após dia da vida que tem porque sabe que não vai viver pra sempre, aí morre de velhice.

Tem gente que nasce, brinca, cresce, aprende, constrói, ama, chora, cria, adoece, goza, canta...como quem vai viver pra sempre, aí vira adubo, vira semente.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Luz em mim



A cor do meu sonho é azul
tudo céu, mar... todo o Mundo nú
A cor da minha vergonha é verde
pra me camuflar e ficar com cara de paisagem

O meu ciúme às vezes tem tons de cinza
mas quase sempre é preto
como uma ausência de cor
A minha raiva é vermelha
assim como é vermelha a minha bandeira
e o meu sangue que me faz pulsar de indignação

A cor da minha alegria é amarela
que nem meu sorriso tímido
A cor da minha ternura é branca, preta, marron,
cinza, rajada, malhada que nem gato e cachorro

A minha liberdade é branca
porque são todas as cores reunidas
todas as possibilidades
A minha essência é lilás
cor estranha, de mulher
cor de ir à luta

O meu desejo é como o arco-íris
de várias cores e também surge de repente
só que o arco-íris vem depois da chuva
e o meu desejo vem antes da umidade

Só ainda não descobri o que em mim
tem a cor de burro quando foge...

quarta-feira, 3 de março de 2010



"Amar apenas as belas mulheres e suportar os maus livros e as cervejas ruins, são sinais de decadência." (Joseph Joubert - adaptação)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Vida em marte


"Quando as coisas do coração...não conseguem compreender...o que que a mente não faz questão... e nem tem forças pra obedecer... Quantos sonhos já destruí...E deixei escapar das mãos...Se o futuro assim permitir...Não pretendo viver em vão"
(Seu Jorge interpretando Life On Mars de David Bowie)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Desperdiçando hormônios



Bueno Aires, São Paulo, Barcelona, Paris, Nova York, Lisboa, Santiago, Istambul, La Paz, Porto Alegre, Florença, Cairo, Recife, Amsterdam...

E eu aqui rateando...viajando no interior de Minhas Genitais.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Redimindo os números


Admito que os números escondam, desqualificam e retiram a identidade das pessoas.

Eu também acho que tem formas melhores que RG,CPF e senha pra identificá-las e reconhecê-las. A cor e o brilho dos olhos. Um cheiro no pescoço, um aperto de mãos, um abraço envolvente, um cafuné nos cabelos, uma massagem nos pés...
Já tem identificador de retina, mas imagina só uma pessoa tirando os sapatos na rua para massagens rápidas de reconhecimento ou oferecendo o pescoço para numa cheirada comprovar que é a fulana de tal...?!?

Os números por si mesmos, por seu conteúdo já são belos. Eu acho!

A riqueza de significado do número zero é esplêndida! A idéia do vazio, do inexistente, do nada...Não sei como levou-se tanto tempo para aceitá-lo!

Os números também podem qualificar as pessoas... defini-las.
Dizer que o CEP de alguém inicia com 60 ou que seu código DDD é 85 é o mesmo que dizer que esse alguém é do Ceará e que, portanto tem a pele bronzeada do sol, o bom humor e garra típicos dos nordestinos, etc.

Se se diz que uma pessoa tem 48 anos já é o suficiente pra que com isso se saiba outras inúmeras coisas sobre ela. Que tem pelo menos indícios de cabelos brancos, que tem celulites, se for mulher, que já teve problemas de ereção, se for homem, que já sofreu pelo menos uma vez alguma a perda de alguém, etc.

Se a pessoa tem 18 anos todo mundo já sabe que é alguém que sabe tudo e é o dono da verdade.


Os números às vezes dizem tudo:

22 são dois patinhos na lagoa

Fazer um 21 é ligar pra fora.

13 é azar na certa.

Chamou pra um 69, pode ir que é garantido.

Ficou de 4 é sucumbir.

E uma pessoa com 4 nomorad@s, só pode ser safada...hahaha


P.S.: Pra evitar novos equívocos, esclareço que não sou eu essa pessoa com 4 namorad@s.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Inteligência múltipla dos corpos


”O corpo não é uma máquina como nos diz a ciência. Nem uma culpa como nos fez crer a religião. O corpo é uma festa.” (Eduardo Galeano)








Os olhos não só vêem, também choram, delatam
Os dentes não só mordem, também sorriem, cerram
Os pés não só andam, também equilibram, cansam
Os dedos não só seguram, também apontam, penetram

O umbigo alimenta, prende, apodrece
O nariz cheira, escorre, reconhece
O cabelo esquenta, cresce, entontece
O seio amamenta, envaidece, enlouquece

O hímen castra, rompe e liberta
O pênis penetra, concebe e ejacula
O pescoço segura, move e é zona erógena
O lábio esquenta, esconde e é zona que goza

Os corpos não só suam, também padecem e entrelaçam-se
Os masculinos não são só músculos, também são prazeres e debruçam-se
Os femininos não são só carne, também são capazes de fazer festa
em qualquer outro corpo...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A seriedade das brincadeiras


Quem nunca ouviu alguma brincadeira de: Português burro? Japonês de pinto pequeno? Francês que não toma banho?
É claro que ninguém acredita ou dá importância a essas brincadeiras. Se os portugueses fossem burros não teriam colonizado e dominado boa parte do mundo com suas tecnologias marítimas. Se o Japão não controlar a atividade dos pintos pequenos não vai ter lugar pra tanto olhinho puxado naquele pequeno país. E quem já foi a Paris sabe o valor que tem um banho francês, seus toialettes e os melhores perfumes do mundo. Aqui no Brasil ninguém discrimina essas pessoas, ao contrário, são eles que nos discriminam quando chegamos por lá, pois brasileiro só vai pra lá pra roubar o emprego deles e pra ser prostituta. Não é assim? Eles são os ricos, o primeiro mundo, os imperialistas...
Quando se trata de piadas ou esteriótipos de povos de países ricos, são só brincadeiras e mitos bobos.
Agora será que o mesmo acontece com os povos de países pobres?
Quem nunca ouviu piadas sobre africano? E agora, com o terremoto, piada sobre haitiano?
Eduardo Galeano disse uma vez:
No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".
Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".


Piadas e brincadeiras sobre o povo negro nunca foram só piadas e brincadeiras.
Agora virou tese pra debate se a barbárie e as desgraças que vivem os povos negros do mundo não é uma maldição por culpa deles próprios que são um povo místico e fazem "vodus"...

Desde criança ouvia, às vezes  em tom de piada e às vezes não, que:
Negro é sujo e fedido (e eu, criança, acreditei, afinal todos os negros que eu conhecia não tinham dinheiro nem pra comer, que dirá pra comprar sabonete?!?)
Ser negro é ser feio, de nariz chato e cabelo ruim (e eu acreditei porque não conhecia negro na tv, não tinha negro bem vestido, de maquiagem, de penteado bonito)
Negro é indolente, preguiçoso e pouco inteligente(quanto a isso eu tinha dúvidas, porque a empregada lá de casa, uma negra corpulenta e meio cega, bisneta de escravos, era a que trabalhava o dia inteiro até à noite, sempre obedeçando ordens até das crianças. E ela fazia contas melhor que a minha mãe, apesar de ser analfabeta)
Assim cresci, como a maioria das pessoas, achando que negro é negro, branco é branco, cada macaco no seu galho. Eles não vão muito longe, são os que trabalham com a força e os brancos com a cabeça. E que trabalhar com a cabeça é mais difícil e por isso ganha mais. 
Talvez tenha sido por causa de brincadeiras e piadas que a forma de falar das pessoas, usando algumas expressões hoje enraizadas no vocabulário dominante, tenha se perpetuado ao longo dos anos.
Porque será que é a ovelha negra e não a malhada ou a marrom, que é a ruim na família?
Porque será que imagem ruim fica denegrida e não esbranquiçada?
Porque será que um passado negro é um passado ruim?

Isso tudo sobre negros e brancos ficou encrostado na minha cabeça e no meu vocabulário. Afinal, não tinha contraponto, não tinha outra versão das coisas, pra onde eu me virava era assim. Na família, as pessoas que eu gostava, eram todas brancas. Na igreja(eu já fui à igreja um dia) Jesus e todos os santos eram brancos. Na escola, os professores e alunos eram todos brancos e as personagens e os heróis dos livros, seja de história, literatura, português e até matemática eram todos brancos. Ops! Minto! Houve excessões, tinha um santo que era negro(não lembro o nome) e também aparecia vez por outra uns negros nos livros. Era o escravo, a cozinheira, a babá, o jardineiro, etc...

Hoje não faço mais essas brincadeiras e não perpetuarei esse falso e nefasto esteriótipo. Mas, não foi fácil me livrar desses preconceitos. Precisei de ajuda. De três ajudas específicamente. A primeira ajuda foi ter faltado dinheiro em casa pra pagar escola particular e aí fui estudar em escola pública, escola técnica, feita pra formar mão-de-obra e enfim, lá tinha alguns negros. A segunda ajuda foi maravilhosa. Dentre todos os alunos da escola técnica, o mais bonito, o mais inteligente, o mais gentil, o mais engraçado, o mais tudo... era negro. E eu só percebi que ele era negro depois de ter percebido todos as outras características dele. Então pensei: o negro também pode ser lindo! Não só poderia ser lindo como poderia ser também o primeiro grande amor de alguém. E a terceira foi a determinante, pois foi a que deu fundamentação suficiente pra derrubar todos os preconceitos enraizados. Foram leituras alternativa, leituras sobre a verdadeira história dos povos, das civilizações. Foi a descoberta do marxismo, da visão materialista e dialética sobre a história da humanidade. Foi entender que a exploração e a opressão entre os seres não tem origem divina e nem natural e sim, tem origem histórica, cultural e principalmente econômica.

Agora só faço piadas e brincadeiras que sejam realmente brincadeiras. Tipo, piada de elefante...eu adoro!!! Chega de fazer piadas rebaixando e descriminando negros, mulheres, homossexuais, deficientes físicos e qualquer outro tipo de pessoas. Algumas brincadeiras não são inocentes, por mais que não percebamos à primeira vista o conteúdo preconceituoso delas.
Pra mim, hoje, todas as pessoas, têm um potencial de serem belas, inteligentes, saudáveis, interessantes, etc...se algumas não são assim, certamente tem algum motivo concreto pra que não sejam: cultura dominadora, preconceito, falta de oportunidade ou qualquer outra mazela dessa sociedade inspirada na exploração e opressão dos seres vivos.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ao mar e aos animais


Estive quase um mês com problemas de comunicação. Vários problemas em diversos tipos de linguagem:

O meu celular viajou de férias. Ele foi à praia comigo, aí funcionava só com um "pauzinho", ou seja não funcionava, a não ser em cima da geladeira onde surgia mais dois pauzinhos.

Toda vez que entrava no msn, kut, skype, etc, não tinha ninguém conectado... (o que será que todo mundo estava fazendo de madrugada que não estava na net???)

Fui, em 12 dias, ao redor de 20 praias diferentes. Putz! Que ilha linda!! Floripa é que é A Cidade Maravilhosa! Mar e montanha, uma combinação que eu tava achando quase perfeita. Só não tava perfeito porque não conseguia me comunicar com São Pedro. No dia que chovia eu tava toda pronta pra pegar àquele bronze e me jogar na água(Gelaaaada! Fazer o quê, não era o nordeste, né?!). No dia que saía o sol eu nem de biquini tava.

As placas de trânsito eram super bem planejadas, devo reconhecer, mas eu nunca sabia se estava indo pro sul ou pro norte da ilha.

Mas o problema maior que tive esses dias foi em me comunicar com os seres humanos. Tentei fazer novas amizades, consolidar outras antigas, porém não rolou...não consegui achar o meio pra fluir a energia. Não aguentava mais ouvir por todos os lados aquele sotoque enjoado dos queridos "hernanos". Tinha mais argentino do que gente naquele lugar!

O meu corpo, os meus orgãos pareciam estar em um certo descompasso uns com os outros. O intestino não se entendia com o estômago, um sempre cheio e o outro mais cheio ainda(o certo seria um cheio e um vazio...eu acho!). As pernas não se entendiam com as costas, enquanto aquelas queriam andar, estas queriam sentar. Os olhos queriam dizer milhões de coisas sobre as coisas que via e a boca só conseguia ficar calada.

A cabeça então...essa estava toda desordenada. Perdeu total controle sobre a bexiga...aí era eu fazendo xixi toda hora feito neném. Os neurônios pensavam o que queriam. Estavam de férias, não tinham hora pra nada...ficavam funcionando a madrugada toda só criando bobagens.

A cabeça não se comunicou direito nem com o coração que quase parou de bater de tanto apanhar. Coitado! Ele precisava mesmo era de oxigênio e um sangue mais colorido.

Quase fui procurar a minha operadora pra ver se resolvia de vez esses problemas de comunicação. Minha salvação foi a linguagem dos corpos que a gente aprende a usar por instinto e que sempre funciona(pelo menos comigo). Foi o que me garantiu algumas interações satisfatorias, entre outras coisas, com os cachorros, quero-queros, urubus, beija-flor e o mar de Santa Catarina.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

EX-FUTUROS

Sabe aqueles relacionamentos que a gente tem que certamente não vão dar em nada sério? Tipo assim: ''não tô fazendo nada, vou ver no que vai dar"; "não é tudo de bom, mas é legal"; ou simplesmente, "é uma pessoa maravilhosa, quem sabe dá certo?'"... São aqueles relacionamentos que começam meio que com prazo de validade. Todo mundo já teve pelo menos um na vida. Tem gente que teve vários, tem gente que só tem desses...Há alguns desses relacionamentos que nem sequer valem a pena ter vivido, e há também aqueles que, mesmo não sendo uma paixão arrebatedora, são leves, são gostosos e acabam sendo muito legais.

Podem-se considerar felizes aqueles que, já conseguiram ir além desse tipo de relacionamento. Ou seja, aqueles relacionamentos em que o amor acontece e se potencializa pela reciprocidade. Tudo parece estar a favor das duas pessoas, o mundo parece girar em volta delas. Se encontraram na hora certa e querem a mesma coisa: ficar juntas o tempo todo. Esse tipo não tem prazo de validade, a gente até cogita a possibilidade de ser pra sempre, embora nunca seja(pelo menos não como no início). Pode até durar pouco, mas um grande amor não se mede pelo tempo de duração e sim pela intensidade dos sentimentos que rolam junto com o amor, a paixão, o ciúme, o tesão, a intimidade,etc. Tem gente, os privilegiados ao meu ver, que tem vários grandes amores, cada um tão bom e intenso quanto o outro. Um grande amor, depois um segundo grande amor, depois um terceiro... e cada novo amor parece que um novo mundo se abre e novas aprendizagens surgem, novos sabores, novos olhares sobre o mundo...É o tipo de relacionamento que deixa a gente mais completo, mais sensível, mais seguro, mais inseguro, mais bobo, mais calmo...blá,blá,blá... Bom, sobre o amor tá cheio de gente pra definir, pra poetizar, pra musicar.
Agora, sobre aquele amor em potencial, aquele que tem tudo pra ser um grande amor, mas que não se realiza. Aquele relacionamento que a gente se apaixona perdidamente e é até correspondido, mas que tudo parece conspirar contra. Não era o momento certo, não era o lugar certo, não tem como viabilizar, não tem como bancar, não estão livres, não podem ser livres ou querem ser livres...enfim, mil e um motivos que podem ser o motivo para não se viver o grande amor. Este tipo de relacionamento é difícil definir, não encontrei muita coisa sobre isso por aí... Nas novelas e filmes tem algo parecido...os dois se encontram e se desencontram, brigam e fazem as pazes o tempo todo, até chegar o fim da novela e acaba tudo numa boa com um final feliz. Mas os relacionamentos que poderiam virar um grande amor e que, por isso ou por aquilo, só têm desencontros? Esses também acontecem aos montes, mas é mais difícil escrever sobre eles. Amores que não acontecem, ou que acontecem mas não se potencializam, e acabam morrendo por inanição, por estrangulamento, por esquecimento...e viram apenas EX-FUTUROS GRANDES AMORES.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Se isso não é indiferença
Vou agir diferente...
Será que faz diferença?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

À Frida


Nada de miados ou choros...Uma languidez, uma serena felinidade a se esvair...Demos leite com vitamina na seringa e decidimos hoje levá-la para a eutanásia...
Ela morreu ao lado do meu canto preferido em casa antes de irmos ao hospital e eu assisti a sua morte, sempre a acariciando e sentindo seu respirar lento e sem agonias...Um miado, um espichamento de membros e se foi...Fiquei lavando ela como vi num filme bacana oriental sobre o ritual de preparação dos corpos...A enterramos aqui numa parte protegida do pátio e virará adubo, como todos nós...
A acariciamos muito sempre neste um ano que esteve conosco...
E agradeço profundamente a vcs. por terem me oportunizado me apaixonar por gatos porque a Frida era especialíssima...
Bjs e até amanhã,
R.C.

PS.:Trata-se de uma sobrevivente das ruas de Poa que sempre lutou delicada e bravamente por sua existência. Teve a ajuda de alguns humanos que estiveram presentes na hora de pelo menos 4 de suas vidas perdidas. Em sua passagem por este mundo, deve ter deixado alguns descedentes espalhados pela Cidade Baixa, deixou uma casinha de pvc, duas vasilhinhas, pelos espalhados no sofá e também deixou um homem e uma mulher com o coração mais sensível e os olhos mais atentos à dignidade da vida animal.