terça-feira, 20 de abril de 2010

Grito de silêncio


Entregue a um caminho perdulário
Grito desesperada a toda a gente
Pois até que provem o contrário
Tenho direito a um silêncio pungente

sábado, 17 de abril de 2010

Antes de agora


Não me escrevo mais
Nada me flui
Eu me conheço demais
Eu nao sei quem eu fui

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pseudo-neutralidade



Quem não vê, não sabe

Quem não sabe, não sente

Quem não sente

Não precisa ver e saber...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Falar é humano. Latir é divino!"

Amizade casual


Foi numa sessão de domingo.
Estavam só elas na bilheteria.
Ambas em dúvida sobre a escolha do filme.
Uma perguntou a outra se tinha alguma dica.
Assistiram ao mesmo filme na mesma fileira.
Comentaram o filme e foram tomar um sorvete.
Desde então se encontravam sempre que podiam.
E viveram felizes para sempre.
Cada uma com o seu próprio marido.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Dúvida cruel


Não sei se jogo uma bomba no ap do síndico
Ou se mando uma flor pelo correio

Melhor ficar quieta
Nos dois casos posso acabar presa...

Arrastanto corrente


Fui denunciada por mau trato
Por um lindo coração carente
Ele se foi e não houve trato
Fiquei no limbo arrastando corrente

Fui condenada à prisão
Sem mais direito às tardes à toa
Fiquei apenas com a visão
Dos sonhos feitos com outra pessoa

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Inspirações perdidas


" Eu acho que todos deveriam fazer versos. Ainda que saiam maus, não tem importância. É preferível, para a alma humana, fazer maus versos a não fazer nenhum. O exercício da arte poética representaria, no caso, como que um esforço de auto-superação.
É fato consabido que esse refinamento do estilo acaba trazendo necessariamente o refinamento da alma.
Sim, todos devem fazer versos. Contanto que não venham mostrar-me."
Mario Quintana




Tem gente que tem o dom da palavra. Não é o meu caso. Preciso me puxar nos argumentos para que me escutem com consideração. Tem gente que tem o dom da escrita. Este também não é o meu caso. Meu vocabulário é bem trivial e minha criatividade é curtíssima. Ainda bem que me sustento sem precisar dessas coisas.

O meu caso é de escrever o que me vem à cabeça. E isso faço não tem nem seis meses, só por aqui mesmo. É bom escrever sobre o que me vem à cabeça, tenho gostado bastante disso. Porém, eu queria escrever sobre tudo e poder emocionar as pessoas como eu me emociono com algumas coisas escritas. Ou pelo menos, pra não ser tão petulante, o que gostaria de escrever o que eu quizesse. Explicando:

Eu só escrevo sobre as coisas que me vem à cabeça e que me causar alguma sensação ou reação. Sempre sobre o que vejo hoje, sobre o que sinto hoje, sobre o que penso hoje. E preciso escrever rápido. Penso em alguma coisa interessante e tenho que correr, caso contrário, perco a inspiração do momento e foi-se, não consigo mais retormar aquela idéia. Nada de querer escrever sobre algo e ficar pra depois. Assim, por encomenda, só os textos quase técnicos que às vezes preciso entregar.

O que eu queria era poder escrever sobre tudo. Por exemplo, escrever sobre o que eu já vivi tempos atrás. Sobre as sensações que tive, as impressões que tive sobre o mundo, sobre antigas paixões e amores. Foram tantas inspirações que se perderam da minha cabeça. Que coisas interessantes poderia ter escrito sobre as viagens que fiz! Ou sobre as coisas que aprendi e as pessoas que conheci! Sobre o amor e suas dores... Grande tema inspirador! Tenho a impressão que, a depender do quanto já amei e do quanto já sofri por amor, poderia ter escrito até livros. Ouso dizer ainda que seriam bons livros, pois os amores foram fortes e foram lindos. Mas, não vou mais escrevê-los, pois já não estão mais na minha cabeça. Agora aquelas sensações antigas, tão ricas, tão inspiradoras, são apenas lembranças. Que pena! Sinto agora que cometo uma injustiça com o meu passado e escrevo isso como uma tentativa de redenção.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Auto-insulto


Não importam as respostas
Nem sempre há respostas
O que interessa são as perguntas
As perguntas são necessárias

Quero saber fazer perguntas
Quero mais ainda aquelas sem respostas

sábado, 27 de março de 2010

Sensações de um eu desnorteado (passando pela Farrapos)


Como prostituta
Desconfiada quando no carro entra
Aliviada quando do carro sai

Como prostituta
Apressada quando no quarto entra
Enojada quando do quarto sai

Como prostituta
Dolorida quando no corpo entra
Fudida quando do corpo sai

Como prostituta
Oprimida quando em casa entra
Discriminada quando de casa sai

Como prostituta
Perdida quando na vida entra
Esquecida quando da vida sai

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ode à Fruta do Conde


Adoro fruta do conde!
Tenho preguiça de comer frutas.
Mamão, maçã, uva, banana, melancia...laranja então!
Eu até gosto, mas dá tanto trabalho de lavar, descascar, cortar...putz!
Mas pela fruta do conde, ou pinha, ou ata, ou ariticum gasto todo o tempo do mundo.
Como ela lentamente e posso fazer a maior lambança que eu nem me incomodo.
E olha que eu detesto meladeira!

Não deve ser a troco de nada que é a fruta do conde.
Não sei que conde era esse e nem que barbaridade ele deve ter feito pra conseguir suas frutas, mas sei que ele tinha bom gosto e que pela pinha vale mesmo cometer loucuras.

Acho que fruta do conde é que nem sexo. Dá trabalho, faz lambança, mas é tão maravilhoso que a gente demora pra comer, fica se deliciando e por ela/ele a gente comete loucuras.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Matemática X Amor


Seja uma função do tipo y = 10/x , se atribuimos qualquer valor natural ao x, teremos um valor definido para o y no conjunto dos racionais positivos;
exceto se o x for igual a zero, pois se x = 0, nós teremos y = 10/0 ???
Isso, em matemática não existe, chama-se uma indeterminação matemática.

Note também que, quando aumentamos o valor de x, o valor de y diminui. Por exemplo:

Se x = 2, y = 5.
Se x = 5, y = 2.
Se x = 8, y = 1,25.

Vamos comparar agora tudo isso com o amor:

Considerando essa mesma função acima, y = 10/x:
chamaremos y = amor de fulano e x = amor de beltrano

Veja que o amor de beltrano nunca se acaba, pode até diminuir, mas nunca chega a zero. Porém, quanto mais o beltrano ama o fulano, menos o fulano ama o beltrano.

É fato que existem inúmeros tipos de funções e também inúmeros tipos de amores.

Em uma função do tipo y = x² , já é diferente. O amor de fulano aumenta na medida que o de beltrano também aumenta.
Numa função do tipo y = x + 1, praticamente os dois amores andariam sempre juntos.

Matematicamente ou amorosamente falando, assim como y está função de x, um amor está em função do outro. Precisamos achar os valores certos para as nossas equações ou achar as equações certas para os nossos valores. A solução do problema é quando os dois lados da equação estão balanceados.

Viu como matemática é um amor?!?!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Dia 22


Dia 22 de 09 atendia a ligação
Dia 22 de 11 sofri de aflição
Dia 22 de 12 provei a tentação
Dia 22 de 01 morria de paixão
Dia 22 de 03 cheguei no avião

22 noites de prazer
22 brigas de enlouquecer
22 amigos por fazer
22 livros pra ler

22 meses se passaram
22 músicas se ouviram
22 filmes se assistiram
22 viagens se aproveitaram

Dia 22 foi esquecido
Dia 22 foi confudido
Dia 22 foi corrompido
Dia 22 foi escondido

Hoje é 22... há que se comemorar!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Eu acho que...

Tão forte quanto os laços de família é uma verdadeira amizade
Tão simbólico quanto a aliança é a lua-de-mel
Tão bobo quanto casar na igreja é se negar a casar de qualquer jeito
Tão opressor quanto lavar cueca do marido é usar o nome dele
Tão difícil quanto a monogamia é a poligamia
Tão justo quanto o casamento é a união civil
Tão criminoso quanto o preconceito é a discriminação

Tão sex quanto o Jude Low é a Juliette Binoche
Tão inútil quanto as novelas é se negar a vê-las
Tão patético quanto o Gugu é o BBB
Tão ridículo quanto funk é a música sertaneja
Tão boa quanto Cássia Eller é Maria Gadú
Tão talentoso quanto Caetano é Djavan
Tão perfeito quanto Chico Duarque é Nando Reis

Tão nefasto quanto os políticos é se abster de política
Tão corrupto quanto o PT é o PSDB
Tão urgente quanto a reforma agrária é a reforma urbana
Tão importante quanto o operário é o camponês
Tão certo quanto o capitalismo é o fim dele
Tão incerto quanto o socialismo é a barbárie
Tão impossível quanto uma revolução é um mundo diferente sem ela

Tão viciante quanto o orkut é o msn
Tão adorável quanto gato é o cachorro
Tão gostoso quanto o pudim é o pavé
Tão esperto quanto o Piu-piu é o Snoopy
Tão sínico quanto o Frajola é o Garfield
Tão antigo quanto o Kichute é o Conga
Tão interessante quanto o cinema francês é o cinema argentino

Tão excitante quanto a música é a poesia
Tão bonito quanto o amanhecer é o anoitecer
Tão belo quanto o homem é a mulher
Tão cruel quanto o ciúme é a saudade
Tão necessário quanto o sexo é o carinho
Tão possível quanto amar é esquecer
Tão longe quanto você está de mim é quanto eu estou de você

quarta-feira, 17 de março de 2010

No rumo da venta


Tenho a CABEÇA perdida...
Mas sou dona do meu NARIZ
Posso fechar o OLHOS e
Meter a BOCA no mundo
Quem sabe encontro um motivo
Para dar um SORRISO
Que vá de uma ORELHA à outra

Parágrafo mal feito



Esse parágrafo não podia ter terminado assim
Ainda tinha tantas interrogações a fazer
Tantos parênteses entre uma frase e outra
Tenho passado vírgulas e ponto e vírgulas
pensando em dois pontos
Nas exclamações que podíamos dar
e no ponto final que não deveria haver

domingo, 14 de março de 2010

Quer me chamar? Quer me cantar?

________________
__________Lá___
_______________
Mi ____________
____ Ré________

sexta-feira, 12 de março de 2010

Crise dos sete anos


Depois de escrever para as mulheres da minha vida me senti em dívida com os homens. Então...

Tinha quase sete anos quando descobri que o primeiro homem da minha vida não era um herói, era um homem bem comum. Mas que ele seria pra sempre, só que pra sempre não era mais todo dia. Contudo, impôs sua importância ao longo da minha vida mesmo quando as visitas passaram de fim de semana sim, outro não, para de ano em ano.

Não foi uma perda propriamente dita, até porque logo em seguida descobri o segundo homem da minha vida e, esse sim, era um herói. Era o melhor e era imprescindível. Fazia cócegas, ensinava a tarefa de casa, arrumava minha bagunça, reclamava dos meus pés descalços...Parecia um pai, mas só tinha sete anos a mais que eu. As semelhanças e afinidades nos afastaram pra sempre. Foi minha primeira perda e foi difícil, pois como superar a morte de alguém que permanece vivinho da silva?!

Aos 17 surgiu o meu terceiro homem. Em certo sentido foi também o primeiro e posso dizer que foi o último, já que os posteriores foram apenas detalhes sórdidos em minha vida. Esse não era em nada especial, pelo menos a olhos nus. Porém, com meus olhos apaixonados, cheios de um amor absurdo, o fiz um homem quase perfeito. Esse também foi embora, não pude evitar, não houve tempo pra me arrepender. Essa foi a minha segunda perda e foi A perda. Levei no mínimo sete anos pra superá-la...ou pra suportá-la.

Ainda tenho um grande, literalmente grande, homem na minha vida, é meu maior amigo. Sinto que as diferenças e a falta de afinidades podem me causar uma nova grande perda... já tenho sofrido por isso.

Assim, 7 e 7 são 14 com mais 7 , 21... e mais 7 são 28.
Hoje, idos 28 anos do primeiro homem, 21 do segundo e 14 do terceiro, posso dizer que eles foram imprescindíveis à sua época e influenciaram em grande parte o que tenho de bom em mim.

Foram-se o primeiro, o segundo e o terceiro... Será que tá na hora de arrumar o derradeiro? Quem sabe um herdeiro.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres boas vão para o céu, mulheres más vão à luta!



Uma homenagem

À Clara Zetkin
À Rosa Luxemburgo
À Alexandra Kollontai
À Natália Sedova
À Nadia Krupskaia
À Anita Garibaldi
À Olga Benário
À Patricia Galvão(Pagu)
À Haydée Santamaría
À Felice e Lilly(Jaguar e Aimée)
À Chiquinha Gonzaga
À Frida kahlo
À Simone de Beauvoir
À Virgínia Wolf
À Joana D'Arc
e especialmente às trabalhadoras haitianas!!!

domingo, 7 de março de 2010

Pra sempre III ( Palavras fortes )


É bom evitar dizer palavras fortes

Nunca, sempre, nada, tudo...

Por que nunca é pra sempre

E tudo se resume em nada

Pra sempre II ( Água gelada )


No começo é difícil perceber que algumas coisas não são pra sempre.
O tênis preferido, as férias na praia, os amigos de escola, a mãe, o pai...
Aí a gente se angustia, chora, mas acaba aprendendo a conviver com as perdas.

A gente cresce e a angústia cresce também, porque descobre que nada é pra sempre.
Nem a humanidade é pra sempre. Descobre que diante de tudo que existe, tudo é frágil, é pequeno. Diante da eternidade, não há pra sempre, tudo é efêmero.
Mas a gente se acostuma com essa angústia e segue em frente, contando que nossa geração ainda está bem e o que há de pior vai ficar por conta das próximas.

O que não dá pra acostumar é saber que o amor não é pra sempre.
É como banho gelado, não dá pra acostumar, é sempre ruim. A gente evita ao máximo o banho gelado e o fim do amor, até que não suporta mais e sucumbe. E a angústia corroí, dilacera os ossos como um banho de água gelada.

Pra sempre I ( viajando! )



Tem gente que acumula dinheiro como se fosse viver pra sempre, aí morre em cima do dinheiro.

Tem gente que se arrisca em aventuras perigosas como se fosse viver pra sempre, aí morre de acidente.

Tem gente que não se arrisca nunca, mal sai de casa como se quisesse viver pra sempre, aí morre de úlcera.

Tem gente que não vive, apenas sobrevive e tem medo de sofrer e viver pra sempre, aí morre de fome.

Tem gente que aproveita dia após dia da vida que tem porque sabe que não vai viver pra sempre, aí morre de velhice.

Tem gente que nasce, brinca, cresce, aprende, constrói, ama, chora, cria, adoece, goza, canta...como quem vai viver pra sempre, aí vira adubo, vira semente.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Luz em mim



A cor do meu sonho é azul
tudo céu, mar... todo o Mundo nú
A cor da minha vergonha é verde
pra me camuflar e ficar com cara de paisagem

O meu ciúme às vezes tem tons de cinza
mas quase sempre é preto
como uma ausência de cor
A minha raiva é vermelha
assim como é vermelha a minha bandeira
e o meu sangue que me faz pulsar de indignação

A cor da minha alegria é amarela
que nem meu sorriso tímido
A cor da minha ternura é branca, preta, marron,
cinza, rajada, malhada que nem gato e cachorro

A minha liberdade é branca
porque são todas as cores reunidas
todas as possibilidades
A minha essência é lilás
cor estranha, de mulher
cor de ir à luta

O meu desejo é como o arco-íris
de várias cores e também surge de repente
só que o arco-íris vem depois da chuva
e o meu desejo vem antes da umidade

Só ainda não descobri o que em mim
tem a cor de burro quando foge...

quarta-feira, 3 de março de 2010



"Amar apenas as belas mulheres e suportar os maus livros e as cervejas ruins, são sinais de decadência." (Joseph Joubert - adaptação)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Vida em marte


"Quando as coisas do coração...não conseguem compreender...o que que a mente não faz questão... e nem tem forças pra obedecer... Quantos sonhos já destruí...E deixei escapar das mãos...Se o futuro assim permitir...Não pretendo viver em vão"
(Seu Jorge interpretando Life On Mars de David Bowie)